Se leres este artigo não digas a ninguém
O meu último artigo neste nobre jornal foi muito falado na nossa terra. Os visados, explicaram-se, os interessados, vangloriaram-me. São os sinais dos novos dias, que havemos de fazer. Neste artigo prometo ser mais simpático e poupar o trabalho a alguns de me telefonarem. Depois podem agradecer.
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Nenhuma sociedade é suficientemente evoluída quando o medo é quem dita a regra. Portugal, acho eu, terminou com esse modo de governação com o 25 de abril, mas acho que estamos a dar passos no sentido de enfraquecer a nossa democracia. Como é que é possível que numa sociedade como a nossa, as pessoas tenham de se “esconder” de demonstrar aquilo que gostam por medo? Muitos de vós poderão dizer que “ah, é porque têm o rabo preso… devem favores… que remédio tem”. Eu acho isso desnecessário e ridículo. Como é possível que, nos dias de hoje, alguém me venha dar um feedback satisfatório do que escrevo e tenha de terminar com um “não digas a ninguém que eu gostei porque ainda me metem em problemas”? Não consigo corroborar essa teoria e lamento que alguns a ponham em prática. A isto, as redes sociais vieram juntar-se como instrumento de controlo perfeito. “Ah, segues este… puseste gosto nisso?… já viste o que este disse?”. Que país é este em que o medo e a perseguição fazem parte do dia a dia?
O leitor que me acompanha já se deve ter apercebido que o que eu escrevo aqui é escrito mesmo por mim. Umas vezes agradarei mais aos do PSD, outras mais aos do PS (espero bem não ter elogios da extrema esquerda e da extrema direita, sacode). E continuarei a fazê-lo enquanto eu puder (e os donos do jornal me deixarem), de forma livre, responsável, respeitadora e genuína. Porque é assim que eu sei estar na vida, é assim que eu sei ver as coisas e espero continuar assim. Não gosto de perder tempo com aqueles a quem Deus fez o favor de lhe levantar as da frente para não andarem com as quatro no chão mas, como não podemos deixar que o mundo perca a regra, “ai que os meter ao suco”. Termino com um apelo. Não tenham medo de serem vocês próprios. Se acham que devem falar, falem. Se concordarem, demonstrem. A história só fala dos corajosos e irreverentes. Sejam assim mas, até lá, não diga a ninguém que leu este artigo, pode ser?











