Fonte do Gil

O nome “Gil” advém do facto de o proprietário do terreno se chamar Gil. Esta fonte de nascente foi depois da Fonte Velha, na Fonte do Prado, aquela onde as pessoas, mais recentemente, há cerca de 150 anos, sobretudo a gente nova, mais ia à fonte, começando a povoação, também aí a abastecer-se. Sit

09 mar. 2016, 15:38

O nome “Gil” advém do facto de o proprietário do terreno se chamar Gil.

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Esta fonte de nascente foi depois da Fonte Velha, na Fonte do Prado, aquela onde as pessoas, mais recentemente, há cerca de 150 anos, sobretudo a gente nova, mais ia à fonte, começando a povoação, também aí a abastecer-se.

Situada cerca de 200 m a sul da povoação, ao fundo da íngreme rua do mesmo nome que, descendo quase da Praça, junto à casa do Abade, assume um declive que se vai acentuando, possui antiga calçada.

Caracteriza-se por possuir um chafariz, todo em granito, servido por dois canos cilíndricos, saídos de dois florões artísticos, e era encimado por dois pináculos e por uma cruz. É de estilo barroco Jesuítico, e foi concluída no ano de 1735.

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Ainda hoje aí existem os lavadouros públicos, dois grandes tanques todos em pedra, para onde escorre a água excedente do chafariz, sendo diariamente utilizados, dado a temperatura da água, sempre corrente, no Inverno, ser bastante amena e, no Verão, muito fresquinha.

É, ainda de referir que este fontanário rodeado por vegetação abundante, onde, durante muitos anos, resistiu um chorão, árvore centenária, hoje, infelizmente, abatida, foi, desde sempre, muito pitoresco, dando azo a cantigas à desgarrada, quando as raparigas, nas noites de Verão, iam à fonte com os seus cântaros e bilhas.

Tinha a sua história romântica, pois era famosa por ser o encontro e o local preferido de namorados. Dizia-se que quem bebesse daquela água ficava apaixonado pela terra e nunca mais a deixaria. Eram correntes as histórias de namorados em que a jovem tinha o cântaro à cabeça e depois de algum tempo ficava com a “rodela” marcada no couro cabeludo, cenas da vida quotidiana que o povo traduziu em versos:

E no Gil a passarada

Tem por mestre o rouxinol

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Que canta de madrugada

E de tarde ao pôr do sol.

Não chores fonte do Gil

Não dês suspiros, nem ais

Pois foste a jóia mais bela

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Da aldeia de Carviçais.

A tua água cristalina

Que tanta sede matou

Mas foi tão triste a tua sina

Que o povo te abandonou.

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Junto a ti nos olmos brancos

Logo ao nascer do Sol

O melro assobiava

E cantava o rouxinol.

Vinham as moças à fonte

E os moços atrás delas

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Rindo às gargalhadas

Na brincadeira com elas.

Eras a alegria da aldeia

E disso tenho saudade

Por junto a ti ter passado

O melhor da mocidade.

Ó minha fonte do Gil

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Vou desvendar-te um segredo

Foste tu a causadora

De eu namorar tão cedo.

Em tempos as águas sobrantes da Fonte do Gil, eram utilizadas na rega das férteis hortas aí existentes e na zona do Figueiredo, havendo uma calendarização de 24 horas diárias de utilização das mesmas, distribuídas pelos proprietários em função das áreas que cada um possuía e necessitava.

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