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Rural Castanea é a montra de um sector que movimenta 25 milhões de euros em Vinhais

Ter, 29/10/2019 - 11:19


“Temos agora mais 66 candidaturas e, falando do concelho de Vinhais, com mais 540 hectares de área plantada, num investimento de 5,3 milhões de euros, apoiado em 2,5 milhões e meio, pelo PDR 2020”, revelou Carla Alves à margem da XIV Rural Castanea, que decorreu este fim-de-semana.

A democracia é chata

Mas é a consciência do mundo. Talvez por isso, nos momentos em que se reorganiza entra-se num período de catálise onde apenas reina a expectativa do dia seguinte, e quem escreve fica sem factos. A seguir às legislativas, optou-se por abandonar a tradicional futurologia do elenco governativo para traçar cenários sobre o modo como se iria constituir governo para os próximos quatro anos. Ao todo, creio que foram criadas oito possibilidades sendo que nenhuma delas confere à governação a estabilidade dada pela anterior “gerigonça”. Certo, para alguns comentadores, é que nenhum dos partidos estava interessado em reativar o anterior modelo, pelo que teriam respirado de alívio quando se aperceberam de que já nada havia a fazer. O irrealista caderno de encargos apresentado pelo Bloco, a irredutibilidade do PS e o fechamento do PCP nas suas fileiras que esmorecem, geraram apenas um cenário de duvidosa continuidade onde nem as suposições mais sui generis conseguiram alcançar o âmago da questão.

Mas, independentemente dos cenários, o certo é que só se chegou a eles por vias da democracia que tem tanto de deslumbrante como de temeroso num tempo de incertezas e conflitos que, deixando de ser latentes passaram a emergir de forma quase espontânea aos nossos olhos. Bastará pensar no que está a acontecer na vizinha Catalunha, na tão próxima Turquia ou no não tão longínquo Reino Unido para entender que há sinais claros de que se vive um tempo em que nada se pode dar como adquirido em termos geopolíticos e de estabilidade social. É que a democracia tem destas coisas… Nós por cá, vamos fazendo mudançazinhas porque ou somos de brandos costumes ou não estamos para grandes atos de heroísmo – é cansativo e nunca se sabe como terminam.

Talvez seja por isso que a democracia é mesmo chata. Não é que seja chata, mais me parece que é matéria sujeita às leis da Física: ou se expande ou se retrai. Ou seja, a democracia é um processo e, como tal dinâmico; não pode viver num estado que permita o estaticismo, terá de ser um fluir contínuo em equilíbrio no qual o movimento terá de ser uniforme e retilíneo sob pena das forças atuantes se anularem e este corpo permanecer em repouso. Por mais que se queira, o regime democrático exige uma constante interpelação dos cidadãos para se manter dentro dos valores que o definem, pelo que o esmorecer ou o afastar dos seus ideais conduz a distorções que resultam nos mais variados acontecimentos disruptivos, incluindo a emergência de ideologias contrárias a esta.

Num momento em que os extremismos fazem a sua assunção dentro do sistema político português e os fundadores da democracia se vão extinguindo, é de questionar se os paladinos destes valores souberam compreender verdadeiramente o que instituíram ou, pelo contrário, com o passar do tempo, cederam à tentação do conformismo e descuraram a necessidade de fazer chegar a todos os ventos da mudança que começaram a soprar num tempo em que se acreditava que o fosso entre ricos e pobres iria desaparecer e a melhoria das condições de vida iria chegar aos lugares mais recônditos deste país. Acima de tudo, a democracia é um sistema de tal forma frágil que facilmente cede lugar à oligarquia que, a curto prazo, pode deslumbrar o povo, mas a médio prazo ou se torna anarquia ou se converte em tirania e ambas oprimem.

Como nada é garantido e o que hoje é, amanhã já não é, ninguém deve querer hipotecar a sua liberdade apenas porque agora até a procrastinação na defesa de direitos considerados adquiridos é permitida. Ora se a democracia é chata por ser exigente, continuemos a abrir espaço a outras formas de governação e saberemos o que é ser escravos na própria terra.  

 

Nota: O título foi censurado à nascença por uma democrata convicta que se pôs a espreitar o ecrã do computador. Apelo, por isso, a que o leitor seja compreensivo e permita o uso da liberdade de expressão.

Da ferrovia e da utopia!

A vinte e seis do corrente mês de outubro, a RIONOR organizou, em Alcañices – Espanha mais uma edição dos Conselhos Raianos, sob o tema “Cooperação Transfronteiriça e Desenvolvimento” onde compareceram vários autarcas raianos, do lado de cá e de lá da raia, bem como outros responsáveis regionais políticos e académicos. Dos vários temas tratados há um que me é caro e pelo qual dou a cara: a ferrovia! Que, aparecendo agora, mesmo que timidamente, na ribalta dos roteiros políticos, há três anos, quando o tema foi lançado pela Rionor, em Bragança, não passava, como muito bem lembrou o João Ortega, de uma utopia!

Uma utopia, em Portugal e no nordeste, já que no resto do mundo, os avanços neste campo não param de nos surpreender não só com a recuperação de vias abandonadas, com o incremento de muitas existente e, sobretudo, com os avanços tecnológicos, no advento do comboio-bala que atingirá, brevemente, a espantosa velocidade de quatrocentos quilómetros por hora!!

O que pode justificar que, em pleno século XXI se continue a reclamar a concretização de ligações móveis com base em tecnologia proveniente do século XVIII com as devidas modernizações e adaptações. Usei, para o justificar, um acrónimo MES, em triplicado. Nos dias que correm o comboio é Moderno, Modular e Motor de desenvolvimento sustentado.

A Modernidade traduz-se no elevado estado da arte dos comboios pendulares, dos trens de grande velocidade, dos metros citadinos e suburbanos das grandes metrópoles, sem esquecer o já referido comboio-bala. É Modular e isso é uma enorme mais-valia nos tempos modernos onde a adaptação, a personalização e a produção baseada nos stocks nulos e o “just-in-time” são a base comum da maioria dos processos produtivos. O Motor de desenvolvimento regional fica facilmente evidenciado se se fizerem coincidir as linhas propostas pelo PNPOT e as linhas férreas existentes no país, no início do século passado.

São também três as características começadas pela letra “E”: Ecológico, Económico e Eficiente. Usando um canal exclusivo, sendo elétrico e, sobretudo magnético, sem emissões de CO2 e sem outras agressões ambientais, é difícil encontrar meio de movimentação mais Ecológico que o comboio. Não é necessário demonstrar a Economia associada às linhas ferroviárias, seja para transportar todo e qualquer tipo de mercadorias ou passageiros. A Eficiência mede-se pela capacidade, sem qualquer limitação tecnológica, para reverter as funções dos elementos motores que, a descerem, facilmente se convertem em geradores recuperando larga percentagem da energia consumida.

Finalmente, os “S”. A Segurança e o Silencio são de tal forma óbvios que merecem poucos comentários. Comparado com o principal concorrente, o avião, as vantagens são esmagadoras. O último S é recente. O grande nível de sex appeal revelou-se na última campanha eleitoral lusitana. Não tendo havido uma única referência digna nas eleições de 2015, nas mais recentes, não houve nenhuma força partidária, das duas vintenas de concorrentes que não colocasse a ferrovia como um desígnio nacional, no respetivo programa.

Ora se todos concordam com a aposta no comboio como uma prioridade só resta, como muito bem referiu a vice-presidente da Rionor, Raquel Linacero, dar corda ao relógio e pô-lo a funcionar!