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Editorial

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O percurso histórico da humanidade conheceu episódios dramáticos, tremendos, quando o instinto de sobrevivência cegou a racionalidade, não deixando espaço à ponderação nem à compreensão misericordiosa do outro, reduzido a uma ameaça potencial que era preciso aniquilar para sobreviver.

Que vida, meus caros! Maus anos sempre os houve, com sangue, suor, lágrimas, suspiros, desânimos, angústias, mas este, que já vai em pleno verão, está a revelar-se de uma dureza que sentimos agravar-se a cada dia que passa, mesmo quando tentamos abrir as janelas da esperança.

Fernando Pessoa quis este país como o rosto da Europa, que “fita, com olhar esfíngico e fatal” o ocidente, o mar imenso e os sinais de venturas e tragédias que se apagam a cada ocaso do astro rei, até que, do oriente, volte a luz que alivia mas também inquieta, porque não se compadece com ilusões

O edifício do hospital de Bragança foi inaugurado no ocaso do regime do Estado Novo, em Abril de 1973, interrompendo longo ciclo de ostensivo descuido do poder político relativamente à prestação de cuidados fundamentais de saúde a uma população empobrecida, debilitada, condenada à diáspora.

Já lá vai meio ano de inquietação, angústia, raiva e resignação com a novíssima praga, que ameaça virar do avesso as vidas nossas de cada dia, sem que se vislumbre quando poderemos respirar fundo, entre a multidão, sem medo de encher o peito de pestilência.

Bastava a tragédia da pandemia, pouco propícia a grandes entusiasmos com o presente e menos com o futuro da humanidade, para sentirmos a fragilidade da vida que o acaso nos empresta, caprichoso e irracional como sabemos.

Foi do melhor que nos podia ter acontecido, a concretização, vai para sete anos, da auto-estrada transmontana, a tal estrada da justiça, como a definiu um Primeiro Ministro que tem deixado o país ruborizado pela vergonha do que terá feito e do que seria capaz de fazer, se não tivesse caído em des

Aparentemente nas sociedades em que vivemos haverá condições propícias ao reconhecimento crescente do valor do saber para o desenvolvimento de modelos de inter-relação capazes de nos elevar a patamares nunca atingidos nas condições materiais, na equidade, na ética e na estética, com reflexos na m

Vai para três décadas que ficámos sem comboio, ou quase, porque se manteve, literalmente até cair, um troço entre o Tua e Mirandela, expressão do desprezo ostensivo dos poderes centrais deste país.

A nossa gente reconhece bem a situação dos desgraçados que, nas festas e romarias, se iam chegando a uma roda de homens, desenhada numa sombra conveniente, a deslado do baile, mas não muito longe de alguma tasquinha, para tentarem a sorte de multiplicar uma notita por três ou quatro e sentir o al

É comum ouvir reflexões sobre a capacidade de adaptação do ser humano às condições extremas que não faltaram nesta caminhada, já longa, à superfície da Terra.

O apregoado lado democrático da pandemia em que vivemos, suportado na convicção de que todos estão sujeitos à contaminação, independentemente da condição económica ou do estatuto social, não é afirmação que se deva reclamar para o universo das verdades definitivas.