Comboio até Zamora e Salamanca
Um século de erros sistemáticos
Tanto se discute o comboio e as novas linhas, sem refletir sobre geografia e história da ferrovia (em Portugal e no mundo). Tanto se discute sobre o ordenamento territorial, enfermando de idêntico desconhecimento histórico e geográfico. Entretanto o interior permanece esquecido e Trás-os-Montes permanece sem ferrovia. Mas fará sentido falar em interior, num país com 200 Km de largura, em que todos os distritos têm ou poderão ter acesso ao mar, seja diretamente, seja através de um rio navegável?
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Então porque inventar outra divisão territorial que não seja a distrital, que quase coincide com uma outra mais antiga, de natureza eclesiástica (diocesana)? Acresce que o mar de Trás-os-Montes e de cada um dos seus dois distritos, é o Douro navegável. O seu litoral é este imenso rio.
A ferrovia seguiu o seu curso até Barca d’ Alva, complementando a hidrovia e daqui entrou em território Espanhol, levando à maior falência de Bancos Portuenses na segunda metade do século XIX. Continuamos à espera que Espanha reabra este troço internacional… Se há data a ligação tivesse sido feita por território nacional do Pocinho à Guarda (e daqui a Salamanca) e do Pocinho a Miranda / Bragança (e daqui a Zamora), Trás-os-Montes não teria um mas três troços internacionais. Hoje a Guarda poderia ser um verdadeiro “porto seco” nacional, conectando as linhas da Beira Alta, Beira Baixa e Douro.
Não adianta chorar sobre o que se fez, mas importa corrigir, aproveitando o que já está feito, evitando multiplicar novas expropriações e novos custos. Espanha nunca vai tomar a dianteira, mas tem duas estações de TGV pertíssimo da fronteira (Zamora e Puebla de Sanabria). Portugal só tem de repor os carris na fronteira, em bitola ibérica. Se Espanha não construir a dúzia de quilómetros que lhe competem, há que organizar o respetivo transbordo com qualidade irrepreensível.
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A comunicação social e as populações de ambos os lados da fronteira poderão então envergonhar o poder central de Madrid junto das instâncias internacionais. E a linha virá naturalmente. Aí poderemos viajar em comboios de eixo telescópio de Lisboa ao Porto e daqui até Madrid, Paris, Berlim…
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