GDB: a raça de um povo
Opinião

GDB: a raça de um povo

  • 4 de Junho de 2026, 09:23

Quando falamos de futebol, pensamos automaticamente em duas equipas, 22 jogadores e noventa minutos atrás de uma bola com o único objetivo de marcar golos. Em Portugal, quando questionamos as nossas crianças acerca da sua preferência clubística, esperamos quase sempre uma de três respostas: Futebol Clube do Porto, Sporting Clube de Portugal ou Sport Lisboa e Benfica. No entanto, o nosso panorama desportivo é muito mais rico. Existem cerca de 2200 clubes de futebol filiados na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), nos quais se integra um emblema muito especial para todos nós: o Grupo Desportivo de Bragança (GDB).

Olhar em retrospetiva para os últimos 20 anos do GDB é recordar uma autêntica montanha-russa de emoções. Na mítica época de 2006/2007, o GDB perdeu nos quartos de final da taça de Portugal com o Belenenses por 2-1 no estádio municipal de Bragança. Mais tarde, na época de 2012/2013, o clube sagrou-se campeão da antiga III Divisão Nacional, ascendendo ao Campeonato Nacional de Seniores (atual Campeonato de Portugal). Entre 2013 e 2018, o GDB manteve-se consecutivamente neste escalão, falhando por muito pouco, em várias ocasiões, o acesso aos play-offs de subida à Segunda Liga.

Mas, como qualquer história de amor, esta também conheceu momentos de agonia e de profunda dificuldade. Na época de 2018/2019, fustigado por dificuldades financeiras crónicas e perante a forte concorrência no futebol do Norte, o fado do GDB tornou-se mais obscuro com a descida aos campeonatos distritais.

Ainda assim, houve quem nunca desistisse. E aqui impõe-se um agradecimento merecido aos Commando, a claque do GDB. São eles que, em conjunto com os restantes adeptos, dão alma e carregam a ambição deste clube. Percorrem milhares de quilómetros ao lado dos jogadores e das equipas técnicas, garantindo que o Bragança nunca joga só e que a força da nossa terra chega a todo o lado. O meu muito obrigada pelo vosso bairrismo!

A recente época de 2025/2026 foi o espelho perfeito desta garra brigantina. Contra o ceticismo de muitos, o GDB agigantou-se e sagrou-se campeão da Fase Regular da Série A do Campeonato de Portugal. É verdade que o sonho da subida à Liga 3 nos escapou recentemente frente ao Leça FC, numa derrota cruel e injusta que funcionou como um autêntico soco no estômago. Mas a história do GDB não fica por aqui. Se há algo que o passado nos ensina é que o transmontano pode vacilar, mas nunca se rende. O Bragança não subiu de divisão, é certo, mas resgatou algo muito mais valioso: o orgulho e a união de uma cidade inteira.
A fechar este ciclo, também neste mês que passou, uma figura histórica do futebol nacional e da nossa terra despediu-se dos relvados: Luís Miguel Afonso Fernandes, mais conhecido por “Pizzi”. O miúdo prodígio que saltou dos juvenis para os seniores do GDB, que correu nos relvados da II Divisão B e que acabou por pisar os grandes palcos da Liga Europa e da Seleção Nacional. Pizzi levou a raça brigantina pelo mundo fora, tornando-se um dos maiores embaixadores da nossa terra. Obrigada, Pizzi, por projetares o nome do clube onde nasceste e cresceste.

Esta crónica descreve o espírito futebolístico que se viveu este ano em Bragança, mas isto nunca foi apenas sobre futebol. É sobre a resiliência e a identidade de um povo. É a prova viva de que podemos ser tudo o que quisermos; só precisamos de nos unir e nunca desistir da nossa terra.

Ouça a Caroline no Parlamento Jovem todas as sextas às 21:00 na Rádio Brigantia

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