Tradição e originalidade nos presépios

Qua, 26/12/2018 - 09:54


Olá, como estão os leitores da nossa página?
Estamos a viver o Natal de 2018 e, para mim, o 29.º no seio da Família do Tio João. Na sexta-feira passada fiquei muito sensibilizado com a atitude de uma pessoa que ao ver um invisual que queria passar a estrada na passadeira da Av. Sá Carneiro, junto à entrada para o túnel sem que os automobilistas parassem, foi mandar parar os carros e ajudou-o a atravessar em segurança.
São estes gestos que nos sensibilizam para o espírito de Natal, que deveria ser todos os dias do ano e não só nesta quadra.
No nosso programa temos continuado a fazer Natal, transmitindo uns aos outros como nos queremos. Foram muitas as mensagens ternas dos nossos participantes que, através de cantigas, músicas, poesias ou simples palavras, tocaram o coração de todos.
Há alguns anos quase só eram os filhos emigrantes a vir passar o Natal com os pais a residir em Portugal. Agora as coisas já não são bem assim, pois muitos dos nossos tios e tias foram passar esta quadra com o seus filhos emigrantes a residir no estrangeiro.
No meio agrícola por cá, as pessoas ‘escondem-se’ na apanha da azeitona e nas matanças. Segundo as previsões do tempo, os últimos dias do ano não vão ser molhados e também é possível que as geadas cheguem, por fim.
Como somos a família que festeja a vida mas também chora a morte, hoje choramos o desaparecimento do tio Eduardo Lapa que, há 28 anos, me proporcionou um dos melhores natais da minha vida, em Paris. Estive em sua casa e na sua fábrica em Pavillons-sous-Bois, onde foi presidente da associação portuguesa local e um dos responsáveis com a geminação dessa cidade com Bragança. Paz à sua alma, os sentimentos à família enlutada.
Agora vamos festejar a vida, falando das Bodas de Prata Matrimoniais da tia Graça do Cavaquinho, de Bragada (Bragança), que foram no passado dia 19, quarta-feira e as Bodas de Ouro Matrimoniais de Manuel Preto e Maria Campos, de Alfaião (Bragança), festejadas no dia 21, sexta-feira.
Na passada semana também fizeram anos a tia Rosa Maria (47), de Martim (Murça); Jorge Rodrigues (63), de Bragança, emigrante na Alemanha; Carlota Vieira (74), de Bragança e a tia Aida (73), de Sobreiró de Baixo (Vinhais).
Deixo-vos agora com o tema principal desta semana que é um dos grandes símbolos do Natal: o Presépio.

 

O presépio simboliza para os cristãos o local da natividade do Menino Jesus, que em muitas localidades é representado numa gruta, cabana ou estábulo. As figuras obrigatórias do presépio são o Menino Jesus, que nas igrejas só é colocado depois da Missa do Galo e de ser beijado pelos fiéis, a Virgem Maria, o S. José, os Reis Magos, os pastores, os anjos, a estrela de Belém, que se coloca no cimo da árvore de Natal, a burrinha e a vaquinha. Em muitas localidades enriquecem o presépio com outras figuras como as lavadeiras, as bandas de música, os ranchos folclóricos, moinhos e rios. O musgo, a areia e as pedras também fazem parte do cenário do presépio. Antigamente só mesmo as igrejas é que tinham o presépio, actualmente são muitas as pessoas que também fazem o presépio em suas casas.
Segundo informações dos nossos ouvintes, em todas as localidades ainda há algumas pessoas que se encarregam da tarefa de fazer o presépio na igreja, para não deixar morrer a tradição.
Fomos encontrar um presépio ao natural muito original, no quintal do tio Santana, no bairro de Além do Rio, em Bragança. Também na aldeia de Samil, bem pertinho de Bragança, a igreja está decorada com um presépio de cerca de setenta peças. Na aldeia vinhateira de Barcos (Tabuaço), terra da nossa tia Fernandinha, o presépio tem cerca de sessenta imagens em tamanho real. Em Bragança, os utentes da APADI – Associação de Pais e Amigos do Diminuído intelectual voltaram a recrear o presépio vivo, na Praça da Sé, no passado dia 8.
Resta-nos desejar a todos os nossos leitores, festas felizes, vivendo o Natal do Menino Jesus.