Mãos firmes para transportes especiais

Ter, 21/08/2018 - 17:19


Olá minha boa gente!

Continuámos a viver Agosto, o tal mês de 31 dias em que diariamente há casamentos, baptizados, festas e romarias. As nossas aldeias ganham mais vida neste mês, mas também a cidade de Bragança ganhou outro movimento.

Na agricultura, a maior labuta têm sido as regas.

Na passada quinta-feira, em directo para o programa de rádio, tivemos a participação, no espaço de vinte minutos, do Carlos Pássaro, no alto da sua grua em Zurique, na Suíça, da tia Maria, em Colónia, na Alemanha, do tio Agostinho, em La Rochelle (França), que nos tocou uma ‘realeijada’ em frente ao mar e do camionista José Rodrigues, que estava numa estação de serviço no Luxemburgo a comer duas natas e que nos confidenciou que passou centenas de vezes na ponte que caiu em Génova (Itália) a última das quais há muito poucos dias.

Na última semana estiveram de parabéns a tia Lurdinhas Modinhas (71), de Paradinha de Outeiro (Bragança); Dalma Reis (69), de Bragança; Marieta Martins (82), de Bragança; o tio Artur, de Carviçais (Torre de Moncorvo) e a Felizbininha (91), de Constantim (Miranda do Douro). Muita saúde a todos.

Agora vamos conhecer melhor o nosso tio João Castilho, camionista profissional.

Esteve em demonstração no aeroporto de Beja o maior avião de transporte de passageiros do mundo, com 470 lugares e capacidade para chegar aos 800 passageiros. Este facto por si só não seria notícia para a esta página se não fosse o facto de ter sido o tio João Castilho, membro da nossa família, um dos condutores dos camiões que transportaram as peças deste avião de Langon, a cerca de vinte quilómetros de Bordéus, para Toulouse, onde este monstro foi montado na totalidade. De referir também que o tio João Castilho foi o único condutor de nacionalidade portuguesa.

As peças foram inicialmente transportadas por barco e depois transferidas para camiões de 600cv, que puxam reboques de 5+5 rodados, fabricados na fábrica “Nicolas”, em Auxerre (França), com a intenção de poderem ser usados neste tipo de transportes especiais de grande tonelagem e volume.

O avião foi transportado por peças, em que o primeiro camião levou o cockpit, ou seja, a parte da cabine de mandos, o segundo levou a carlingue, que é a fuselagem, o terceiro transportou a parte de trás, com o rabo para o ar e o quarto transportou as duas asas de pé, com uma altura de vinte e seis metros e uma largura de doze metros e meio.

O transporte efectuou-se entre as 22:00 horas e as 6 da manhã, por um itinerário feito de propósito e para o qual foi preciso demolir casas, cortar árvores, enterrar fios eléctricos e de telefone além de terem de ser evitadas as pontes, através de desvios por propriedades privadas.

A distância percorrida por estes camiões, de Langon até Toulouse, foi de 330 quilómetros, feitos em três noites, ou seja, 110 quilómetros por noite, havendo a necessidade de fazer parques de estacionamento fechados e bem vigiados em cada etapa.

A equipa de transporte era composta por doze condutores especializados, vinte e quatro carros-piloto, chefes responsáveis pelo transporte nas várias etapas e doze polícias de mota.

E foi este o testemunho do nosso tio João Castilho, que recorda com muita saudade e nostalgia a profissão de camionista que sempre teve e abraçou com muita paixão e mãos seguras e firmes no volante.