Não! Não são todos iguais

O mais hilariante folhetim televiso dos últimos tempos transmitido directamente da casa da democracia, teve o seu ponto alto num arrojado número de funambulismo de uma senhora deputada que, em defesa ou condenação sabe-se lá de quê ou de quem, argumentou já não haver virgens lá no éden em que paira, donde se infere que os anjos, afinal, têm sexo, ainda que de género indiferenciado.

E se o que viu e ouviu é daquele teor imagine-se o que se passa nos bastidores da dita casa da democracia, atrás do cenário politicamente correcto.

Como se sabe, na democracia mais genuína os políticos, trate-se de ministros, de deputados ou simplesmente de comissários, seja qual for a sua ideologia ou graduação, são meros intermediários entre a vontade do povo e a governação. Em Portugal especialmente, não é bem assim. Comportam-se como uma casta parola usufrutuária de privilégios e impunidades obscenas que ela própria a si mesma se atribui. Representam o pior da Nação.

São essas as primeiras e principais causas do seu desprestígio e da desvirtuação da democracia.

Não é de espantar, portanto, que por tudo e por nada se ouça o povo nas ruas dizer, em jeito de desabafo: “ eles são todos iguais”. Mas será que são todos iguais como o povo afiança?

Pessoalmente entendo que

não, que muito embora a maior parte seja pior do que o que dela se diz, se tivermos em conta os raros que justamente se podem gabar de que desempenham os seus cargos de forma dedicada e honesta, melhor poderemos afirmar que não são todos iguais.

Não são iguais embora sejam igualmente maus porque sistematicamente silenciam, encobrem, branqueiam e habilidosamente relevam as tropelias e crimes de colegas e correligionários e das agremiações viciosas em que militam, sem distinguir credos, cores ou ideologias que, hoje em dia, por muito que custe aos prosélitos da esquerda e da ultraesquerda, não passam de mero palavreado, como a Geringonça o comprova.

E tanto assim é que a direita envergonhada corre mesmo o risco de vir a ser dispensada da democracia lusitana porque a esquerda gabarola faz o trabalho por ela.

Atente-se no degradante arraial de mentiras e traições em que se transformou a Assembleia da República, nos abusos e atropelos à lei que lá se cometem, na desfaçatez e sobranceria com que os deputados tratam a Nação.

E não são apenas maus e desonestos quando se dão ao desplante de faltar ao trabalho e de garantir a senha de presença de forma fraudulenta. Ou quando viciam as moradas para obterem chorudas ajudas de custo. Ou quando se organizam em comissões de transparência que apenas transparecem cinismo e hipocrisia.

São-no sobretudo quando, embora tendo consciência das deficiências do regime, da lei eleitoral fraudulenta ou da justiça coxa, por exemplo, não mexem uma palha para se congraçar e reformar o que deve ser reformado.

É o mexes! É o reformas! Estão como peixe na água nesse ambiente falso e vicioso que é o principal foco gerador de populismos, sendo que o pior é o populismo do poder, pai de todos os demais.

Os Trump e os Bolsonaro que cresçam e apareçam, portanto. Os deputados portugueses cá estão para os destratar, lá nas américas ou caso se atrevam a vir para cá.

Com excepção do déspota venezuelano que continua a ter o afecto silencioso dos deputados da Geringonça e, o que é mais surpreendente, da patética e desnorteada direita lusitana.

Será que o povo tem mesmo razão quando diz que eles são mesmo todos iguais?

 

Este texto não se conforma

com o novo

Acordo Ortográfico.

Henrique Pedro