As festividades e as pessoas

Terminadas as quadras festivas penso que devemos falar sobre elas. O que correu bem, menos bem e mal. Isto já para começar a preparar este ano que agora começa, e não deixar tudo para a última, como sempre. Todos os anos penso comprar as prendas de Natal em Agosto, mas acabaram sempre por serem adquiridas e embrulhadas dia 24. Este é o meu "o que vou melhorar" neste 2018. Outra coisa é a roupa para a passagem de ano. Vi gente com combinações giríssimas mas com um toque de "foi a primeira coisa que me apareceu no armário, este vestido com lantejoulas e franjinhas", e um cabelo e maquilhagem que também não dizem nada "passei o último dia do ano metida em salões de beleza, enquanto contava às restantes clientes o que ia vestir e calçar". Para o ano... desculpem... este ano, vou fazer como toda a gente, e comprar a roupa em Agosto.
Isto do Ano Novo deixa-me pouco à-vontade. Primeiro, até quando podemos desejar "bom ano novo"? Há algum manual nesse sentido? E quando podemos esquecer as resoluções?
Mas, o que me tem deixado mais confusa, passadas as festividades, são os protocolos que regem a forma como gerimos as quadras festivas nas redes sociais, e já lá vamos. Não tenho registo de um postal de papel recebido. Tenho pena. Há uns dez anos, a febre eram as mensagens escritas no telemóvel. O pessoal tentava inovar e mandar textos originais. Com piadas malandras, a desejar "boas festas pelo corpo todo", ou muito sentimentais. Nos saudosos tempos dos Nokia, dava para mandar-mos símbolos com os "-" e os "*" que faziam bonecos alusivos ao momento. Como as mensagens se pagavam, ou se colocava um saldo de parte para mandar para todos os contactos, ou então tínhamos que selecionar os mais importantes. E retribuir todas, por cortesia. Havia aquele drama de não ter o número da pessoa que, pela escrita, parecia pertencer aos nossos amigos mais chegados. Alguns tentarem resolver esse problema, assinando com o primeiro nome. O que também não me ajudou em nada, porque só "Manel" é vago ao fim de 360 dias. Deviam começar a ser mais específicos, como "Manel que trabalha no talho, amigo da Ana que toma café às vezes no mesmo sítio do que tu". Se nos atrasávamos a enviar, a rede "entupia", e só dali a umas horas voltava a normalizar. Pior na passagem de ano, com os telefonemas pós-meia-noite.
Agora tudo se desenrola nas redes socais, onde podemos cear em simultâneo com amigos e conhecidos. Comparar mesas e presentes. Ver e conhecer famílias. E já ninguém deixa as mensagens a desejar boas festas para o dia dos acontecimentos. Foram mandando. E se recebemos dos amigos e familiares, recebemos ainda mais de pessoas que nem conhecemos. E não, não é engano. Não queriam falar, na verdade, com o Manel. Era mesmo para nós, uma lista aleatória onde se quer distribuir amor, paz, saúde, dinheiro e sucesso. Deixa-me confusa, mas feliz e agradecida ao mesmo tempo. Não há letras escritas, vem tudo em vídeo com vozes impessoais. Ali estão os votos.
Aproveito por fazer deles também os meus, para este 2018, não sabendo estar a infringir as leis da etiqueta ou não. Se sim, agora só me posso redimir em 2019.

Tânia Rei