Doença Hemorroidária: como tratar os sintomas?

Saiba o que é a doença hemorroidária, as suas causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção.

O que são hemorróidas? 
As hemorróidas são veias dilatadas e salientes que fazem parte do ânus e do canal anal, e que participam na contenção das fezes. Podem ser classificadas em hemorróidas internas ou externas. As internas localizam-se no canal anal, acima do ânus, e as externas localizam-se à volta do ânus, fora do canal anal. Por vezes, à volta do ânus desenvolvem-se pregas de pele que são indolores e de consistência mole, as quais se designam mariscas hemorroidárias, que são estruturas distintas das hemorróidas.

O que é a doença hemorroidária?
Quando as hemorróidas, estruturas vasculares normais, são responsáveis pelo aparecimento de sintomas, fala-se em doença hemorroidária. Desta forma, quando se diz que se tem hemorróidas isto significa habitualmente que elas são origem de sintomas, pelo que nesta circunstância falamos de doença hemorroidária. A doença hemorroidária é uma patologia extremamente frequente na população adulta, prevendo-se que metade da população por volta dos 50 anos sofra de doença hemorroidária. Não existe diferença de incidência entre sexos, surgindo habitualmente na terceira década de vida e atingindo um pico entre os 45 e os 65 anos de idade.

Quais são as causas da doença hemorroidária?
As causas da doença hemorroidária são a obstipação (prisão de ventre), esforço excessivo durante a defecação, diarreia prolongada, gravidez, parto, obesidade, tosse crónica, envelhecimento, sedentarismo, posição sentada ou de pé durante muitas horas, hereditariedade, consumo de bebidas alcoólicas, refrigerantes, bebidas açucaradas, café, chá preto e consumo de determinados alimentos (picantes, substâncias excessivamente ácidas, fritos, marisco, azeitonas, queijo, chocolate, frutos secos, entre outros).

Quais são os sintomas da doença hemorroidária?
Os sintomas mais frequentes da doença hemorroidária são retorragias (perda de sangue de cor vermelho vivo no papel higiénico, pingas de sangue na sanita ou fezes raiadas de sangue) durante a dejeção, desconforto e/ou dor durante e após a defecação, prurido (comichão) e sensação de peso na região anal. Estas manifestações resultam da rotura das hemorróidas internas ou do seu prolapso (exteriorização através do ânus) durante a defecação ou, ainda, da trombose dos vasos hemorroidários externos. As hemorróidas externas podem acumular sangue e formar um coágulo saliente e de consistência dura no ânus, devido à dificuldade na drenagem de sangue pelo aumento da pressão no canal anal, conduzindo a uma trombose hemorroidária, que é uma situação muito dolorosa. As mariscas hemorroidárias podem provocar ocasionalmente prurido, sobretudo quando são muito volumosas. 

Como se faz o diagnóstico da doença hemorroidária?
O diagnóstico da doença hemorroidária é realizado através do exame objetivo anal e perianal, que inclui a inspeção desta região, o toque retal e a anuscopia. A anuscopia permite a observação do canal anal através de um tubo curto (anuscópio) que está ligado a uma fonte de luz. Quando o principal sintoma é a hemorragia é necessário completar a investigação e excluir outros diagnósticos (por exemplo cancro colorretal ou doenças inflamatórias intestinais, tais como Doença de Crohn ou Colite Ulcerosa) com o estudo do recto e cólon, através da realização de uma colonoscopia total. Assim, as pessoas que apresentem perdas de sangue pelo ânus deverão consultar o seu médico, de forma a ser realizado um diagnóstico diferencial precoce.

Qual é o tratamento da doença hemorroidária?
Após a confirmação do diagnóstico de doença hemorroidária, o tratamento pode ser não farmacológico, farmacológico ou cirúrgico. A terapêutica a adotar depende da gravidade da situação, pois se esta for pouco grave verifica-se benefício com alterações na dieta ou tratamento farmacológico. Desta forma, os sintomas ligeiros causados pela obstipação podem ser aliviados com medidas dietéticas como o aumento da ingestão de alimentos ricos em fibras (frutas, vegetais, cereais) e líquidos sem álcool ou cafeína (de preferência água). Deve evitar-se o consumo de alimentos picantes, pois podem agravar as queixas. A prática de exercício físico pode controlar os sintomas e colocar a região afetada em água fria (banho de assento) também pode ajudar. É extremamente importante reduzir o esforço durante a defecação, de modo a diminuir a pressão sobre as hemorróidas e impedir que estas prolapsem. O tratamento farmacológico com venotrópicos (medicamentos que fortalecem as veias) e/ou pomadas retais com ação analgésica podem aliviar os sintomas. 
Quando a alteração do estilo de vida e a terapêutica farmacológica não são suficientes, poderá ser necessário recorrer a tratamentos instrumentais, efetuados através do anuscópio, tais como a laqueação elástica (colocação de um anel elástico na base da hemorróida) ou a esclerose (injeção de uma substância que oclui e diminui a hemorróida). Estes procedimentos são simples e bem tolerados.
A hemorroidectomia (remoção cirúrgica das hemorróidas) está reservada para os casos mais graves de doença hemorroidária, nomeadamente na presença de hemorragia ou prolapso importantes e nos casos em que ocorrem tromboses de repetição.
O tratamento da trombose hemorroidária consiste na realização de uma pequena incisão na hemorróida, sob anestesia local, de modo a remover o coágulo e assim aliviar a dor.

Como se previne o desenvolvimento da doença hemorroidária?
As medidas gerais que ajudam a prevenir o desenvolvimento de doença hemorroidária são uma alimentação saudável e equilibrada, rica em fibras (legumes, frutas e cereais integrais) e líquidos, de preferência água, prática regular de atividade física, hábitos intestinais corretos (defecar sempre que tiver vontade), evitar fazer esforço durante a defecação e evitar permanecer sentado ou de pé durante muito tempo. 

Dr.ª Fátima Monteiro 
Médica Interna em Medicina Geral e Familiar 
UCSP Mirandela II 
Unidade Local de Saúde do Nordeste