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O Morais veio escandalosamente vergado devido a três expulsões. Mesmo a ganhar por 1-0 ao intervalo (golo já obtido com 10 elementos, depois da expulsão de Hélio aos 15”) acabou por perder a partida.

O vento e a chuva forte que se faziam sentir em Torre de Moncorvo foram suficientes para que se assistisse a um mau jogo de futebol, com as duas equipas a jogarem no erro do adversário para tentarem criar lances de golo.
No primeiro tempo, os atletas transmontanos entraram bem no encontro tentando aproveitar o facto de estarem a favor do vento para se adiantarem no marcador, o que não veio a acontecer já que as condições climatéricas e a experiência adversária não o permitiram. A turma visitante limitou-se a gerir o empate, criando, apenas, uma ocasião nítida de golo ao minuto 42, por intermédio de Pedro Pontes.

Foi um jogo muito complicado para as duas equipas. A chuva forte não deixou que os atletas pensassem no jogo, apenas tiveram hipótese para darem pontapés para a frente e procurarem o golo num lance com mais ou menos sorte. Neste capítulo, a sorte esteve do lado da equipa minhota, que inaugurou o marcador por Capucho, após uma boa combinação de ataque.

A chuva torrencial e o facto de ambas as equipas quererem (e terem extrema necessidade) em ganhar, condicionou o jogo nos minutos iniciais.
Foram momentos com altos níveis de concentração, forte cortina defensiva, arriscar pouco e muito futebol directo. Com os locais a terem melhor adaptação ao terreno, construindo os lances mais intencionais, embora sem eficácia, pois os remates saíram alto e ao lado.

Somos portugueses, sem dúvida. Não sabemos valorizar o que de melhor temos e só adoptamos como nosso o que é estrangeiro e, às vezes, de duvidosa qualidade.
É interessante que tenha sido um realizador espanhol a fazer um filme sobre o nosso FADO, do povo de Lisboa, cidade provinciana e cosmopolita no dizer de muitos e também de Carlos do Carmo, um dos maiores fadistas portugueses, com uma carreira de mais de quarenta anos, que sendo lisboeta de gema, não se conforma com o descaso que a grande maioria do povo da sua cidade faculta à canção de Lisboa por excelência, como referiu numa das suas últimas entrevistas à RTP, no programa Só Visto!.

Aconteceu-me, ao ter de estudar determinada matéria, voltar a ler “Romances du Trás-os-Montes”, tendo da leitura retirado o proveito esperado e o prazer de relembrar vozes de todos os géneros que cantavam tais romances conforme as estações do ano e os trabalhos agrícolas a elas atinentes. A linguagem falada – cantada em ritmo pausado – entusiasma, a leitura no meu caso tem o condão de me provocar inúmeras imagens forjadas na realidade local, especialmente quando o tema aborda a honra, a virgindade das raparigas. Neste livro a cantora Maria Cândida Nunes de Tuizelo, alude à desonra, veja-se o seguinte excerto retirado da “Morte de Dom João de Castela:” – Deixo Dona Isabel, / há doze anos enganada. / Já deixo aí vinte contos / para essa desgraçada. / Tu que dizes, meu filho, / vinte contos não é nada! A honra de duma menina / com dinheiro não é paga…”

A las bezes cuorre mal
La cousa eiqui no Lar
Mas miro pa la rue
I nun beio onde m’agarrar.
Quien nun aparece squece
Toda la bida fui assi,
Cumo you nun apareço
Yá naide se lhembra de mi.

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Ah, que çfamiados beisos na floresta,
I que mimoso choro ressonaba!
Que fiestas tan suables! Que ira hounesta,
Que an risicas cuntentas se tornaba!
L que mais pássan na manhana i séstia,
Que Bénus cun prazeres anflamaba,
Melhor ye spurmentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue quien nun puode spurmentá-lo.

Éran muitos armanos, pul menos seis. Ls pais ganhában la bida pulas feiras, cua carroça bielha, puxada por dous machos, bandendo roupas baraticas, çapatos, mandiles, todo l que se quejisse. Mirando para aqueilhas caras finicas, eili rebolcados meio ambaixo de la carroça, meio antre las roupas, bie-se bien l béu de probeza que cubrie aquel pelo spetado i zgrinhado. Ls mais bielhos cun eidade de ir a scuola faltában muito i quaije nunca passában de classe. Muitas bezes faltában dies anteiros a la scuola, quando ls pais se íban a fazer ua feira. Gastában l tiempo puli sin nada fazer, a nun ser algua maldade.
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