“Vou levar os Pioneiros de Bragança comigo”

Qua, 03/07/2019 - 14:30


A universal, de 25 anos, cedeu à abordagem antiga do GD Chaves e vai jogar na 1ª divisão feminina na época 2019/2020. A futura contabilista já fez os cálculos e quer afirmar-se na formação flaviense.

Nos últimos anos o GD Chaves fez marcação cerrada a Nady Brito, mas só agora conseguiu convencer a melhor jogadora do último campeonato distrital de futsal feminino da A.F. Bragança a mudar-se para a formação azul-grená.

Nady termina assim um ciclo de seis temporadas nos Pioneiros de Bragança para iniciar uma nova fase. “Sinto que terminou um ciclo muito bom e vou levar os Pioneiros comigo. Agora é tempo de começar algo de novo”, disse ao Nordeste.

No entanto, a decisão não foi fácil depois de seis temporadas a vestir a camisola dos Pioneiros de Bragança. “Acredita que tive até ao último minuto para decidir. Há três anos que o Chaves me abordava, mas a escola, os amigos e o namorado prendiam-me aqui”.

Nady está optimista para o novo desafio apesar de saber que “a adaptação não vai ser fácil”.

 

Da Ilha do Sal para Bragança

O percurso no futsal começou na Ilha do Sal, em Cabo Verde, e não é de estranhar que Nady enveredasse pela modalidade já que a família tem todo um passado ligado ao desporto. “A minha mãe sempre jogou andebol e futsal, o meu pai futebol e o meu irmão é guarda-redes”, contou.

À cidade de Bragança chegou em Outubro de 2012 para estudar contabilidade no IPB e já está a terminar o mestrado. A jogadora concilia o futsal com os estudos e decidiu ainda trabalhar para “poupar um pouco as finanças” dos pais.

A integração na capital de distrito foi “fácil”. “Fui muito bem recebida. Há muitos africanos e isso facilitou tudo, pois não é fácil sair de casa dos pais e teres que tomar as tuas próprias decisões”.

De Cabo Verde, que visita praticamente todos os anos, guarda a saudade de uma boa cachupa e das praias paradisíacas. “Não é fácil estar longe da família mas tem que ser para cumprir os meus objectivos”.

Em Bragança encontrou uma cidade tranquila, “sem confusão e multicultural”, apontado apenas como negativo “a dificuldade em conseguir alojamento”.

 

A família “Pioneiros de Bragança”

Fácil foi também a integração nos Pioneiros. “Fui muito bem recebida. Mais do que uma equipa somos uma família”.

E com a camisola da turma violeta já conquistou quatro títulos distritais, um dos quais na última temporada. A juntar ao campeonato há ainda a taça distrital, a supertaça e a taça transmontana. A equipa parece estar destinada para vencer. Qual o segredo? “Somos muito unidas. Vamos para o campo ficadas em cumprir os objectivos”, respondeu.

Já a participação na Taça Nacional foi complicada. O clube brigantino chegou à segunda fase mas “as lesões e alguns erros” ditaram os resultados menos positivos.

O campeonato distrital “pouco competitivo”, na opinião da jogadora, também não ajuda no desempenho das brigantinas na taça nacional pois “as restantes equipas de outros campeonatos chegam a esta fase com mais jogos realizados”.

Para a jogadora o Santo Cristo foi a formação adversária que “mais dificuldade impôs” e Irene Favas a jogadora mais difícil de marcar. “A Irene é uma jogadora muito aguerrida e deu-me muito trabalho. Tinha que fazer de tudo para não a deixar chegar à baliza”, recordou.

Admiradora confessa do “mágico”, Ricardinho, Nady Brito foi um dos esteios dos Pioneiros, apesar de não gostar de concentrar em si as atenções. “Dei apenas o meu contributo, apenas isso”.

O bom desempenho da universal valeu-lhe o prémio de melhor jogadora do campeonato distrital da A.F. Bragança. O facto não envaidece a atleta e até considera que houve mais se destacasse do que ela. “Não sei se merecia. Tive um mês fora e penso que este ano não tive no meu melhor. Quem merecia era a minha colega a Levz porque teve uma performance excelente e acho que merecia mais do que eu”, disse.

Dona de qualidades únicas e próprias de uma grande atleta, Nady Brito termina a ligação ao clube a que chama de “família”, deixando a porta aberta para um regresso no futuro, e concentra-se no novo desafio, que passa pela 1ª Divisão de Futsal feminino no GD Chaves.

 

 

Jornalista: 
Susana Madureira