Burocracias continuam a atrasar Plano de Mobilidade do Tua

Ter, 12/01/2021 - 12:15


Com o ano novo esperava-se que projectos antigos fossem agora implementados, mas parece que ainda não é desta que será posto em prática o que há muito se aguarda.

É o caso do Plano de Mobilidade do Vale do Tua que está para arrancar há quatro anos e até agora ainda não foi implementado. A complexidade burocrática dos processos, que envolvem entidades regionais e nacionais, públicas e privadas, estará na base deste atraso. A CP, a Infra-estruturas de Portugal, o Instituto da Mobilidade Terrestre, a EDP e a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADVRT), que integra os municípios de Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Vila Flor, Alijó e Murça, estão envolvidas neste processo que aguarda luz verde para ser executado. Depois de terem sido feitas vistorias e avaliações, em 2017 e 2018, na linha que liga Brunheda a Mirandela, a Agência do Vale do Tua foi obrigada a fazer obras para estabilizar os taludes e reabilitar a linha centenária. Intervenções no valor de 5,6 milhões euros e que já estão concluídas há cerca de meio ano. Foi feita nova inspecção pela Infra-estruturas de Portugal, que disse serem necessárias correcções na obra, que até já foram efectuadas, mas ainda não foi feita uma inspecção final. Depois de tanto pára e arranca, ao que parece, o operador que detém a concessão da Mobilidade do Tua manifestou aos autarcas estar cansado de esperar e pode estar em cima da mesa a sua desistência do processo. Júlia Rodrigues, a presidente da câmara de Mirandela e também da administração da ADRVT, não confirmou nem desmentiu a desistência de Mário Ferreira. “Mantemos todas as expectativas que tínhamos em relação ao operador. Existe um acordo firmado, existe também a vontade e o trabalho conjunto entre as várias entidades. Garantimos que mantemos essa confiança e estamos em crer que se vai manter este processo”, frisou. Apesar de acreditar que o acordo seja cumprido, Júlia Rodrigues mostrou-se preocupada com a demora do processo, “pela burocracia e pelo envolvimento de várias entidades”. A autarca chegou mesmo a apelar a que o Plano se torne uma realidade e disse ter sido solicitada uma reunião com carácter de urgência com Mário Ferreira. Até ao momento já foram investidos cerca de 16 milhões de euros em obras, infra-estruturas e equipamento. O Plano foi criado tendo em conta as contrapartidas da construção da barragem de Foz-Tua, que já está em funcionamento e que deixou submersos 23 quilómetros da linha férrea centenária do Tua e suspendeu a circulação nos restantes 36 quilómetros onde o comboio devia regressar. Em causa está também o cumprimento por parte da CP, com a ADVRT, do financiamento necessário para as obras que já foram concluídas. Está em falta um milhão e 280 mil euros. A deputada do PSD eleita por Bragança, Isabel Lopes, já questionou o Governo, no mês passado. O secretário de Estado das Infra-estruturas e Habitação, Jorge Delgado, respondeu e disse que estão “à procura da solução formal e legal para a concluir”, uma vez que “havia falhas nesse processo”. O sistema de mobilidade prevê um trajecto que faça a ligação entre a Estação Ferroviária do Tua e Mirandela, combinando o troço rodoviário entre o Tua e a Barragem, num percurso de autocarro de cerca de 4 quilómetros, depois o troço fluvial de 19 quilómetros, entre o cais da Barragem e o cais de Brunheda. Por fim, o troço ferroviário de 36 quilómetros, entre Brunheda e a estação de Mirandela.

Jornalista: 
Ângela Pais