Tensão e Hipertensão arterial

A circulação do sangue, que tem por destino chegar a todos os tecidos e células do organismo, implica que haja alguma pressão sobre as paredes das artérias. Esta pressão, que é normal e até essencial para que o sangue atinja o seu destino, é a chamada “tensão arterial”.

24 out. 2017, 10:02

Existem, no entanto, vários fatores que podem fazer com que esta pressão sobre as paredes das artérias aumente em excesso. Estamos, então, perante um cenário de hipertensão.

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Em Portugal, existem cerca de dois milhões de hipertensos. Todavia, deste número, apenas 50% sabe que sofre desta patologia, 25% está medicado e 11% tem a tensão efectivamente controlada, aumentando assim o risco de aparecimento de doenças cardiovasculares, como AVC ou enfarte.

Como surge a hipertensão?

Imagine que as artérias são como mangueiras: em estado saudável, o sangue flui com facilidade pelo seu interior, não encontrando qualquer obstáculo ao longo do trajeto que percorre até às células. No entanto, se nestas “mangueiras” o sangue se encontra sobre pressão, o coração tem de esforçar-se mais para o fazer circular. Nestes casos, o esforço pode levar a que a massa muscular do coração aumente, fazendo com que o volume do coração se torne maior — a chamada hipertrofia.

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Numa primeira fase, o aumento muscular cardíaco não representa qualquer problema. Contudo, com o passar do tempo, esta hipertrofia pode levar a insuficiência cardíaca, angina de peito ou arritmia.

O que fazer?

1. Meça a pressão arterial regularmente

Uma vez que a hipertensão arterial geralmente não tem sintomas, controle os níveis da pressão arterial com regularidade.

No caso de adultos saudáveis, recomenda-se a medição da pressão arterial, pelo menos uma vez por ano.

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Já a população obesa, diabética, fumadora ou com antecedentes familiares de doença cardiovascular, deve proceder a um controlo mais frequente e de acordo com as indicações médicas.

2. Pratique atividade física, mas evite esforços excessivos

A prática de uma atividade física regular consegue, em muitos casos, uma descida significativa dos níveis da tensão. Escolha exercícios que compreendam movimentos cíclicos (como a natação, a marcha, a corrida ou a dança) e evite esforços físicos bruscos (por exemplo, levantar pesos ou empurrar objetos pesados) que aumentam a pressão arterial durante o esforço.

3. Coma de forma saudável e evite o sal

Deixe de utilizar sal de mesa (se ainda o faz) e substitua-o por condimentos alternativos, como ervas aromáticas ou sumo de limão. Evite também todos os alimentos naturalmente salgados ou aos quais tenha sido adicionado sal durante a sua preparação: caso dos enchidos, enlatados, comidas pré-preparadas, aperitivos ou águas minerais com gás. Evite as bebidas alcoólicas e, se tem excesso de peso, procure reduzi-lo através de uma dieta moderada.

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O que são a “máxima” e a “mínima”?

A pressão arterial é quantificada através de dois números.

O primeiro número e mais elevado, diz respeito à pressão que o sangue exerce nas paredes das artérias quando o coração está a bombear sangue. É a chamada pressão arterial sistólica — habitualmente chamada “máxima”.

O segundo número indica-nos a pressão que o sangue exerce nas artérias quando o coração está relaxado. É a chamada pressão arterial diastólica — habitualmente chamada “mínima”.

A pressão arterial ideal deve ser inferior a 120/80. Acima destes valores acresce o risco de doença coronária ou acidente vascular cerebral.

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Classificação da pressão arterial

Máxima Mínima

Até 120 Até 80 Normal

120-139 80-89 Pré-hipertensão

140-159 90-99 Hipertensão arterial estádio 1

>160 >100 Hipertensão arterial estádio 2

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Como medir?

• Escolha um local tranquilo, com uma temperatura amena

• Repouse 15 minutos antes da medição

• Evite substâncias estimulantes, como café, álcool ou tabaco, até 30 minutos antes

• Evite roupas apertadas

• Apoie o braço, onde será feita a medição, à altura do coração

• A medição no braço é mas fiável do que no pulso

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• Faça 2 ou 3 medições e calcule a média

• Anote o dia, hora e valor obtido

Tratamento

Está provado que mudar alguns hábitos de vida é muitas vezes suficiente para baixar os níveis da pressão arterial. Isso passa por diminuir o sal, comer frutas, legumes e saladas, praticar mais exercício físico, evitar álcool, reduzir o stress e perder peso (em caso de excesso).

Quando o tratamento sem fármacos não é suficiente, deve então recorrer-se à toma de medicamentos, conforme receita médica.

Embora a Hipertensão Arterial seja “silenciosa”, mantenha-se atento aos seguintes sinais: tonturas, hemorragias nasais e dores de cabeça. Adote um estilo de vida saudável, vigie a tensão e aconselhe-se com o seu médico de família.

Fonte: Fundação Portuguesa de Cardiologia

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