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Em 2021 abriram mais empresas e fecharam menos mas o distrito ficou àquem do crescimento

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Ter, 11/01/2022 - 11:45


O sector empresarial começa a reerguer-se em Bragança, já que em 2021 fecharam menos 27 empresas que em 2020

Em termos mais concretos, no ano que a pandemia chegou a Portugal foram, no total, 108 as empresas que, no distrito, fecharam portas. Já no ano que acaba de terminar terão sido 81. No que toca a processos de insolvência também houve menos no distrito. Em 2021 foram seis e em 2020 tinham sido 20. Em termos de variação percentual, foram menos 25% de empresas a fechar e menos 70% processos de insolvência. Estes dados são do Barómetro da Informa D&B, que aponta as medidas estatais de apoio à covid-19 como a explicação para a tendência. Apesar de várias dezenas de empresas terem sucumbido porque, possivelmente, não aguentaram os efeitos negativos da pandemia, houve mais a nascer que a acabar. Em Bragança constituiram-se, em 2021, 397 empresas, ou seja, mais 45 que em 2020, ano em que se tinha registado o nascimento de 352. Menos fechos e mais aberturas foi também o que aconteceu pelo país fora. Em Portugal nasceram, no total, 41 656 empresas ao longo do ano de 2021. Foram mais 3650 que em 2020, ou seja, um crescimento de 9,6%. À semelhança do distrito de Bragança, também houve menos encerramentos e processos de insolvência no país. No ano passado foram 12 900 as empresas que fecharam portas em Portugal. Em 2020 o número foi maior. Encerraram 14 930. Quanto a processos de insolvência em tribunal, em 2021 registaram-se 1951 e em 2020 contaram-se 2272. Apesar de os números começarem a parecer animadores, quer para o país, quer para Bragança, Hélder Teixeira, presidente presidente do NERBA – Associação empresarial do Distrito de Bragança, não vê o cenário assim tão positivo. “No Interior estamos a crescer menos do que no Litoral. Temos Lisboa em primeiro lugar e nós estamos basicamente no final da lista, sendo que crescemos 1,1%. A atractividade de empresas continua a ser pequena”, esclareceu, salientando, ainda assim, que encerram menos empresas e que há menos “conflitos”. Lisboa cresceu 28,8%. Logo atrás vêm, respectivamente, os distritos do Porto e Braga. Bragança aparece quase no fundo da lista, tendo então crescido apenas 1,1%. Menos que Bragança cresceram apenas Portalegre (1,0%), Ponta Delgada (0,8%), Angra do Heroísmo (0,4%) e Horta (0,3%). Hélder Teixeira considera que “é preciso criar mais atractividade” e sublinha que a tecnologia pode ser fundamental para inverter a tendência. “A tecnologia permite-nos ter empresas de topo no Interior. A pandemia veio- -nos trazer essa percepção de que podemos ter pessoas de topo na região a produzir para empresas no resto mundo”, frisou o presidente do NERBA, que afirmou que “não se quer estragar a região com empresas poluentes” mas sim abrir o distrito às empresas tecnológicas, que tragam “valor acrescentado”. Apesar de não ter dados sobre o tipo de empresas que fecharam, Hélder Teixeira considera que os encerramentos estarão associados aos sectores que mais sofreram com a pandemia, nomeadamente os cafés, bares e restaurantes. Já no que toca à constituição de empresas disse que “as empresas que estão a nascer são de pessoas que não conseguem arranjar emprego”. “Os alunos do Instituto Politécnico de Bragança e as pessoas que perderam o emprego têm que se desenrascar. Estas empresas são da criação do próprio posto de trabalho”, rematou Hélder Teixeira. Apesar de tudo, em 2021 nasceram menos cerca de 16% de empresas que em 2019, altura em que ainda não se vivia a pandemia de covid-19.

Jornalista: 
Carina Alves