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“Até podemos construir mais três ou quatro canis, mas vão estar sempre lotados”

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Ter, 11/01/2022 - 11:56


Em 2021, o Canil Intermunicipal da Terra Fria acolheu 94 animais e o Canil Intermunicipal da Terra Quente recebeu 361

O ano passado, o Canil Intermunicipal da Terra Fria, que abrange os municípios Vimioso, Mogadouro, Miranda do Douro e Bragança, acolheu 96 animais, quer cães, quer gatos. Em relação a 2020, o número aumentou, mas segundo a médica veterinária responsável, esse ano “não foi exemplo”, uma vez que, devido à pandemia, “os serviços estiveram parados”. O lado positivo, é que a taxa de adopção em 2021 foi elevada. Dos 96 animais recolhidos, 82 foram adoptados. O número de capturas em anos anteriores já foi bastante superior. Por exemplo, em 2018, o canil capturou 557 animais. Mas, contrariamente ao expectável, a diminuição de animais recolhidos não significa a diminuição de animais abandonados. “As capturas têm vindo a diminuir, porque o canil só tem 60 vagas, a eutanásia é proibida, portanto à medida que um animal é adoptado entram dois. Normalmente sai um e entram dois”, referiu a veterinária Ágata Martins. Segundo a responsável, é impossível contabilizar o número de animais errantes na rua, visto que os animais são capturados à medida que há vagas nos canis. Neste caso, actualmente, o Canil Intermunicipal da Terra Fria tem 62 animais e já não tem capacidade para acolher mais. “Nós até podemos construir mais três ou quatro canis, mas vão estar sempre lotados, porque há um maior número de animais abandonados. Ainda não há esterilização massiva, vão sempre aparecer animais. Tem que haver consciencialização das pessoas para não abandonar, mas sim esterilizar”, afirmou. As campanhas de esterilização lançadas pelos municípios, que muitas vezes custeiam os gastos totais das operações, têm ajudado na diminuição de reprodução. No entanto, Ágata Martins defende que ainda há um longo caminho a percorrer no que toca à consciencialização das pessoas quer para o não abandono, quer para a esterilização. “O dono nunca diz que a ninhada é dele, a cadela sim, mas a ninhada em si pensa-se que não é propriamente do detentor do animal”, referiu. Por isso, quando é adoptado um animal no canil, a adopção é presencialmente, mas primeiramente é feito um questionário e assinado um documento em como tem condições para ter o animal. Tal como no Canil da Terra Fria o número de capturas aumentou, o cenário foi idêntico no Canil Intermunicipal da Terra Quente, que abrange os municípios de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor. O ano passado, foram recolhidos 361 animais, enquanto em 2020, foram capturados 236, ou seja, um aumento de 125 animais. Mas segundo Paulo Afonso, veterinário responsável pelo Canil Intermunicipal da Terra Quente, este aumento de capturas está relacionado com a ampliação do CRO, Centro de Recolha Oficial. “Em Junho de 2021 ampliamos o Centro de Recolha, o que duplicou basicamente a capacidade”, afirmou. O que vai ao encontro do que Ágata Martins referiu, ou seja, a captura vai sempre depender das vagas do canil e não do número de animais abandonados. Por outro lado, o número de adopções diminuiu. No ano passado, foram adoptados 84 animais, menos 85 que em 2020. “Com a pandemia, no primeiro ano, houve um aumento significativo da procura. Tivemos um mês que chegou até quase as 40 adopções. Eu acredito que a nível local e regional atingimos a saturação de adopção e a procura aqui é muito esporádica, ao ponto de termos adopções de pessoas mais longínquas do que próximo de nós. Por isso, acho que atingimos a estagnação em termos de adopção”, referiu Paulo Afonso. No início da pandemia, as redes sociais ajudaram no aumento de animais adoptados, mas agora o impacto já tem sido pouco, uma vez que a procura “estagnou”. “Tivemos um amento exponencial de adopções quando começamos a usar o Facebook e o Instagram. Obviamente no início houve um crescimento exponencial e neste momento atingimos um patamar, que apesar da oferta ser muito, a procura estagnou”, concluiu o veterinário Canil Intermunicipal da Terra Quente.

Jornalista: 
Ângela Pais