Vinho e outras artes nas adegas de Atenor

Ter, 18/06/2019 - 10:45


Olá familiazinha!

Por vezes damos por nós a dizer que a vida é injusta. Na terça-feira ligou-me um dos muitos pastores que participam no nosso programa, o tio Rodrigo, de Rebordaínhos (Bragança), que semanalmente costuma marcar a sua presença, dando notícias à família. Não lhe passaria pela cabeça que, alguns minutos depois da sua intervenção, o seu filho Tiago Rodrigo, com 30 anos, a trabalhar na Zona Industrial de Mós, seria vítima de morte súbita. Sabemos que a ordem da vida seria os filhos verem partir os pais, por isso será muito mais penoso os pais verem partir um filho ainda tão novo. A aldeia de Rebordaínhos chora um filho da terra que partiu sem avisar. Não tenho palavras para consolar o nosso tio Rodrigo. Paz à sua alma e os sentimentos à família enlutada. Tantos anjinhos o acompanhem como lágrimas fez derramar a tantos que quiseram dar-lhe o último adeus.

Na quinta-feira, dia 13, festejou-se o Santo António, santo com casa própria em muitas das nossas localidades. Em Bragança há uma capela que lhe é dedicada, propriedade de uma família, que só abre no dia 13 de Junho, para a celebração de uma missa. Há localidades da região onde ainda se faz a bênção e distribuição do pão de Santo António.

Ficámos também a saber que os nossos tios pastores são muito devotos de Santo António, que também é o protector dos animais. Costumam rezar o responso a Santo António quando algum animal se perde do rebanho.

A tia Maria Falcão, de Caçarelhos (Vimioso), recordou-nos que havia muitos rebanhos na sua terra e que era tradicional os pastores oferecerem um cordeiro ao santo para este os proteger do lobo, dos desvios e das doenças. Assim, ia-se formando o rebanho de Santo António, que chegava a ter 25 a 30 cabeças que os pastores levavam para o monte, alternadamente.

Mais uma vez, ficámos de boca aberta quando a tia Palmira, de Grijó (Bragança), nos comunicou que, no dia 12, geou na sua terra. Posteriormente viemos a saber que também em S. Martinho (Miranda do Douro) se formou geada pela terceira vez, voltando a dar conta do renovo. Segundo as previsões, parece que vai haver uma luz ao fundo do túnel, pois os homens do tempo esperam um aumento das temperaturas para os próximos dias.

Na última semana festejaram o seu aniversário connosco a tia Silvina de Jesus (57), ministra dos aniversários, de Vila Seca (Armamar), pois é ela que nos alerta diariamente para os aniversários; Jorge (65) e Ana (76), ambos de Vila Boa (Bragança); Ana Maria (59), de Couto de Ervededo (Chaves); Delmino Vaz (67), de Grijó (Bragança); Manuel Drulovic (49), de Estorãos (Valpaços); Açucena (71), de Bragança; Cristininha (38), de Izeda (Bragança); Filomena dos Anjos (71), de Bragança; Susana (57), de Coelhoso (Bragança); Áurea (77), de Especiosa (Miranda do Douro). Para todos muita saúde e paz, que o resto a gente faz.

E agora vamos ver como correu este ano a ronda das adegas em Atenor (Miranda do Douro).

 

Muitas localidades da região fazem feiras para atrair visitantes e colocar produtos genuínos. Algumas já encontraram alternativa aos stands normalizados, abrindo as portas das adegas. Açoreira (Torre de Moncorvo), Milhão (Bragança) e Atenor (Miranda do Douro), são três exemplos de sucesso desta variação ao ritmo do vinho, do pão e de outras artes.

Já há nove anos consecutivos que a aldeia de Atenor realiza a sua ronda das adegas. Este evento decorreu entre os dias 7 e 9 deste mês. A intenção é explorar o potencial turístico da freguesia e valorizar os costumes e tradições da região, assim como preservar o seu património cultural e natural. A organização pretende também mostrar um leque de actividades artesanais, como o fabrico de queijo, a transformação da lã, o cozedura do pão ou até o fabrico de sabão de barra.

Segundo nos contou o tio Adérito, de Atenor, na aldeia há 33 lugares (adegas) onde se pode beber e comer, assim como comprar artesanato, sempre com a animação de vários grupos de música tradicional, peças de teatro, jogos tradicionais e passeios de burro, pois é nesta localidade que tem a sua sede a «AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino». Ainda segundo o nosso tio Adérito, foram muitos os visitantes este ano, tendo inclusivamente vindo do Alentejo um autocarro cheio de gente. Que continue o sucesso para o ano.