Quinta-Feira da Ascensão é tempo de ladainhas e bênção dos campos

Ter, 04/06/2019 - 11:32


Como estão os leitores da página do Tio João?

Estamos no mês de Junho, mês dos Santos Populares. Diz o nosso povo que “quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança”, sinal que agora é uma época de muito trabalho nos campos para os nossos tiozinhos, que já andam a segar os fenos, pois “feno alto ou baixo, em Junho é segado” e, como “sol de Junho madruga muito”, as lides no campo começam muito cedo.

Depois de um fim-de-semana escaldante, com uma onda de calor que chegou aos 38 graus em Mirandela, prevê-se que, nos próximos dias, as temperaturas máximas e mínimas baixem muito.

No Domingo passado realizou-se a romaria em honra de Nossa Senhora do Aviso, em Serapicos (Bragança), que será o palco do Encontro de Gerações da Câmara Municipal de Bragança e do 30.º Piquenicão da Família do Tio João, assinalando também os 30 anos da nossa família. Fica desde já o convite para estarem todos presentes, no dia 30 de Junho, pois vão ser duas festas numa e prevê-se a maior enchente de sempre. Muitos dos artistas do povo vão estar presentes, mostrando todo o seu talento, como será o caso do primo Zé Miguel, de Tinhela (Valpaços), que festejou na sexta-feira 15 anos de idade (na foto).

Quem também festejou a vida connosco, na última semana, foram a Maria Isabel (75), de Torre de Dona Chama (Mirandela); Filipe Borges (45), de Bragança; Fernando Jorge (38), de Vinhais; Zé Manuel (65), de Sobreiró de Baixo (Vinhais); Adriana Martins (17), da Edrosa (Vinhais); tia Arminda (66), de Freixedelo (Bragança);

Luís Portela (64), do Zoio (Bragança).

Para todos muita saúde e paz, que o resto a gente faz.

Como tema deste número, vamos recordar como era festejada antigamente a Quinta-Feira da Ascensão, que se comemorou no passado dia 30 de Maio.

 

A Festa da Ascensão, ou Quinta Feira da Ascensão, celebra-se 39 dias depois da Páscoa e até 1952 era dia santo, com direito a feriado nacional em Portugal. Em muitos lugares de Portugal também se chama a este dia o Dia da Espiga.

O ramo tradicional, que assinala o dia, é tido, no seu todo, como um símbolo de prosperidade e ao mesmo tempo de sorte. As espigas devem ser sempre em número ímpar e são a parte mais importante do ramo. Podem ser de trigo, centeio, aveia, ou qualquer outro cereal. Representam o pão, como a base do sustento da família e a fecundidade. A papoila, com a sua cor vibrante e quente, significa o amor e a vida. O malmequer simboliza a riqueza e os bens terrenos. A oliveira tem um duplo significado, pois significa a paz e é o símbolo da luz, visto o azeite ter sido usado durante muito tempo nas candeias para alumiar as casas. Actualmente, na nossa região ainda há quem se recorde da semana das ladainhas e da bênção dos campos, como é caso da tia Leardina, de Valpaço (Vinhais), que nos contou que, na sua terra, se fazia a semana das ladainhas e na Quinta-Feira da Ascensão se realizava a procissão da bênção dos campos, que já não se realiza há dois anos. Também nos contou que se lembra de ouvir aos mais antigos que nessa semana “não se podiam semear feijões, porque nasciam com orelhas”.

O tio Minga, de Santavalha (Valpaços), também nos disse que até que se realizou essa procissão, os bichos que os negrilhos tinham nas folhas caiam ao passar a procissão e desde que se deixou de fazer, os negrilhos começaram a secar. A tia Celeste, de Serapicos (Valpaços), contou-nos que na sua aldeia esta procissão ainda se realiza, mas só de volta do adro, mas que antigamente, além ser pelos campos, também se realizava a bênção das crias (animais). A tia Neves, de Nuzedo de Baixo (Vinhais), confidenciou-nos que sempre se lembra de ir às espigas e aos malmequeres selvagens, para fazer o ramo e pôr atrás da porta. A tia Bininha, de Carrazedo de Montenegro (Valpaços), foi a primeira pessoa que nos falou nestas tradições antigas, dizendo-nos também que continua a fazer o ramo com três espigas, três ramos de oliveira, uma papoila e rosmaninho, para colocar atrás da porta e ter todo o ano saúde, amor e dinheiro.