“Já tenho a horta posta!”

Qua, 02/05/2018 - 16:37


Olá familiazinha!
Já entrámos em mais um mês de 31. É o quinto do ano e tempo de puxar bem pelo lombo. Além disso, Maio é o mês das flores e dedicado a Maria.
A Primavera já nos trouxe o Verão e no fim-de-semana passado, voltou a trazer o Inverno. Por isso também se voltou a fazer cinza.
Recordam-se de vos falar na Ana Beatriz, de cinco anos? Depois da operação, o nódulo foi extraído e parece que tudo voltou à normalidade. Entretanto tem falado para o programa, para mostrar a sua gratidão a todos quantos pediram por ela. Quem também nos deu conta da sua preocupação foi o nosso tio Sebastião José Eira Velha, de Cernadela (Macedo de Cavaleiros), visto que a sua neta, de 24 anos, está entre a vida e a morte, depois de ter sofrido um enfarte. Claro que a nossa família não se esquecerá dela nas suas orações e oxalá que em breve vos possa dar boas notícias.
Na passada semana, além do nosso tio Francisco Gomes, de Santalha (Vinhais), que comemorou um século de vida, também estiveram de parabéns a tia Maria Vieira (66), de Seixo de Ansiães (Carrazeda de Ansiães); o tio Fernando Correia (77), de Zava (Mogadouro); a tia Maria Lúcia (60), de Pinelo (Vimioso); o tio Óscar (40), de Couto de Ervededo (Chaves); a tia Sofia Machado Castro (56), de Sendim (Miranda do Douro); o tio Gualter, de Agrochão (Vinhais); a tia Justina Ferreira (81), de Grijó de Parada (Bragança) e, por fim, o filho da tia Maria da Perna Gorda, de Castelãos (Macedo de Cavaleiros), que veio ao mundo há 44 anos, à hora e no dia da revolução dos cravos. Parabéns a todos e que continuem a festejar a vida connosco.
Neste número vamos falar das “hortas postas” e homenagear o nosso tio centenário e também relembraremos as tradições do primeiro dia de Maio, que ainda se mantêm em algumas das nossas localidades.

 

“Já tenho a horta posta!”. Foi com esta afirmação que o tio Fernando, de Martim (Murça), nos brindou num dos nossos programa radiofónicos, referindo-se ao facto de já ter a sua horta plantada. Eu que nunca tinha ouvido tal expressão, perguntei-lhe com o que é que estava posta a horta, ao que ele me respondeu com batatas, cebolas, cenouras, feijões, alhos, tomates, pepinos, pimentos, etc. Em consequência desta participação, apareceu logo o tio João Santos, da Torre de Dona Chama (Mirandela), a dizer-nos que já tinha a horta posta e muito bem posta, com alcachofras, batatas quase a arrancar, ervilhas, favas, cebolas, repolhos, coentros e morangos. Também houve quem nos dissesse que a horta é “a fábrica de fazer a sopa”, porque sabem o que colhem e comem.
A tia Micas, de Santalha (Vinhais), na sexta-feira, dia 27 de Abril, disse-nos: “hoje temos festa em Santalha, porque um filho desta terra que nunca de cá saiu, chega aos 100 anos de vida. É o tio Francisco Gomes, que ainda está aqui para as curvas.” Mais um que chegou à lista de ouro dos seculares que temos vindo a homenagear nesta página, porque não é para todos, mas para aqueles que lá chegam. Uma tradição do primeiro dia de Maio são as maias, que na região de Bragança surgem associadas às castanhas, como atesta o provérbio “Quem não come castanhas no 1.º de Maio, monta-o o burro”. Segundo a tradição, Maio é o mês dos burros e o ritual tem como objectivo esconjurar os maus espíritos (o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro»). Por outro lado, “burro”, é também o nome que se dá, em certas localidades de Trás-os-Montes, a uma espécie de aranha, popularmente designada por “aranhola”, bichinho que ataca as palheiras. Por isso se dizia, no concelho de Bragança, que se deviam colocar as “maias” – neste caso simbolizadas não por flores, mas por castanhas – nos currais e nos celeiros.
Na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, algumas localidades, especialmente de Mirandela e Valpaços, colocam à porta ou nas janelas de casa ramalhetes de giestas amarelas, também conhecidas por maias por florirem em Maio. Essa tradição dizem que é para não entrar a fome e lembrarem o tempo da fuga de Jesus para o Egipto. Noutras terras colocam maias no ferrolho da porta para serem protegidos das doenças e dos espíritos maus.