Graça minhota em Trás-os-Montes

Ter, 15/01/2019 - 10:07


Olá ilustre familiazinha! “FAI CÁ UM FRIO!!!”

Em muitas das nossas terras, como nos confirma a tia Palmira, de Grijó (Bragança), “se a nossa terra fosse visitada por dois teimosos, engarravam-se, porque um ia dizer que era neve e o outro dizia que é geada!”. Mas é uma senhora geada, que já fez com que o contador da água e os canos da tia Julieta, de Suçães (Mirandela) e de muitos mais tios e tias, tivessem rebentado.

O rio deme Gimonde (Bragança) já congelou e tornou-se numa pista natural de patinagem artística. Claro que dias assim também servem para os órgãos de comunicação social nacionais noticiarem o frio que nós suportamos por cá. Mas nós já estamos ‘vacinados’ contra o frio do Inverno e o calor extremo do Verão. O nosso povo sabe bem que tem que andar muito agasalhado e ter as casas sempre quentinhas, com a lareira sempre acesa à custa da lenha que ainda é o combustível mais gasto na nossa região.

Nestas madrugadas gélidas, o nosso programa tem tido o calor humano da nossa família que nos tem mimado com os cantares de Reis. Hoje a nossa edição é abençoada por Santo Amaro, porque o dia 15 de Janeiro é dia de ‘Santo Amaro buteleiro’ e em muitas terras é tradição comer-se neste dia o butelo (salpicão de ossos).

No passado fim-de-semana também se festejou o

S. Gonçalo, em Outeiro (Bragança), onde ainda se mantém a tradição da dança da rosca (a dança dos bate-cus), segundo nos informou a nossa tia Ludovina.

Na última semana estiveram de parabéns a avó Libânia, de Vila Nova de Monforte (Chaves), que festejou dois anos, depois do século de vida (102); José Luís (72), de Vale de Gouvinhas (Mirandela); Amélia (72) e Cláudia Topete (39), ambas de Souto da Velha (Torre de Moncorvo); Eugénio Cantoneiro (75), de Nuzedo de Baixo (Vinhais); João Eduardo (44), de Regodeiro (Mirandela); Jorge Manuel (54), de Carrazedo de Montenegro (Valpaços); Irene Farruquinha (47), de Coelhoso (Bragança), que vive em França; Zita (79), de Cabeça Boa (Bragança); António Bragança (46), pai dos gémeos Henrique e Maria, de Bragança; Regina (60), de Nuzedo de Cima (Vinhais) e Bernardete (80), de Celas (Vinhais). Que estes nomes voltem a ser escritos para o ano nesta página e que Deus os abençoe com muita saúde.

Agora vamos conhecer melhor a nossa tia Gracinha, a nossa minhota do cavaquinho.

 

Já foi há alguns meses que me apareceu a participar no programa de rádio, cantando e tocando o seu cavaquinho. É a tia Maria da Graça Teixeira Ribeiro Mota Domingues, que me confidenciou que deixou de trabalhar há alguns anos, por causa de sofrer da doença de Parkinson.

Desde então, tem participado com muita assiduidade no nosso programa, com um grande reportório, pois nunca repetiu a mesma moda e embora tivesse assistido a menos de meia dúzia de aulas de música, toca exemplarmente de ouvido e aprende as letras das músicas. Vamos agora conhecê-la um pouco melhor por palavras suas:

 

Afinal, quem é a tia Gracinha?

Eu sou natural de Ourilhe, no concelho de Celorico de Basto, onde vivi até aos 20 anos, altura em que me casei e vim morar para Pombares (Bragança).

 

Há quantos anos está cá?

Estou cá há 25 anos, tantos como de casada, tenho dois filhos e uma netinha com três anos.

 

Como é que foi a sua entrega ao cavaquinho e a sua entrada para a Família do Tio João?

Esse é um sonho que eu tenho desde pequenina, pois quando vivia no Minho trabalhava no campo, muitas vezes sozinha e passava a vida a cantar. Sempre tive o sonho de tocar concertina ou cavaquinho, o que fosse, mas nunca surgiu essa oportunidade. Agora pensei que estava na altura de realizar um bocadinho o meu sonho e um dia vim a Bragança, inscrevi-me numa escola de música, mas da concertina não gostei porque a achei muito pesada, experimentei ainda a viola, mas não gostei e quando o professor me apresentou o cavaquinho, toquei um bocadinho e pronto… comprei logo um. Só ainda vim a quatro aulas e tudo o que vou tocando é da minha cabeça.

Um dia sintonizei a Rádio Brigantia e apercebi-me que muita gente gostava de tocar e cantar. Lembrei-me de participar e agora pode-se dizer que estou viciada nisto. Acho que para a minha doença é a melhor coisa que posso fazer porque me ajuda muito a não ir abaixo, ando mais contente, ando mais feliz e tocar dá-me exercício às mãos e aos braços.