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Galinhas, ovos de três gemas e raposas despeitadas

Ter, 09/07/2019 - 14:38


Olá gente boa e amiga!

Estamos no mês de Julho, que começou muito quente e até já tivemos direito a trovoada.
Como nos contou o pastor Fábio, da Moimenta (Vinhais), “tinha os fardos no lameiro para recolher e na aldeia caiu uma grande granizada, mas no lameiro nem gota! Que sorte tive, Tio João!”.
Por estes dias já começou a segada. Como diz o povo “em Abril espegil, em Maio granai-o, S. João secai-o e depois do S. Pedro, segai-o”.
A nossa família ficou muito contente com o Pequenicão deste ano. Nos últimos dias não se tem falado noutra coisa senão no rescaldo da grande festa. Quem foi ao Piquenicão teve como bónus o Encontro de Gerações da Câmara Municipal de Bragança e vice-versa. Todos gostaram do Santuário de Nossa Senhora do Aviso, porque tem todas as condições para um evento deste tipo. Tivemos dois grandes momentos nesse dia. Um da parte da manhã, antes da missa presidida por D. José Cordeiro, bispo da Diocese de Bragança-Miranda, tempo de apresentações de artistas do povo. O segundo grande momento foi da parte da tarde, depois das merendas, com a actuação das «Concertinas Brigantinas», o organista Chico Cubo e a sua partner, Alexandra Mendes, o cançonetista Zé Ferreira e o grupo «Chama Musical».
Também fiquei muito contente porque, pela primeira vez, tive a oportunidade de apresentar os meus colegas de trabalho do Jornal Nordeste e da Rádio Brigantia, que subiram ao palco momentos antes de partirmos o mega bolo para assinalar o começo dos festejos de 30 anos do programa.
Nos últimos dias estiveram de parabéns a prima Helena (52), de Sanhoane (Mogadouro), o primeiro elemento da nossa grande família; o tio Manuel da Torrié (64), de Murça; Vera Pires (38), de Rio Frio (Bragança); Daniela Esteves (20), de Martim (Murça); Maria Cristina (66), de Samil (Bragança); Amélia Machado (63), de Bragança e Andreia Fernandes (27), de Coelhoso (Bragança). Que o João André, o nosso ministro dos parabéns, lhos cante para o ano.
E agora vamos ao tema desta semana sobre galinheiros, galinhas, ovos e raposas.

 

É certo e sabido que actualmente, na região, cada vez são menos as pessoas que se dão ao trabalho de criar porcos, mas nas nossas aldeias quase todas as casas têm galinheiros, onde se criam galinhas e outras aves. Antigamente o maior inimigo dos galinheiros era a raposa,  como nos contou a tia Maria da Glória, de Vilar Seco (Vimioso). Um dia a ‘matreira’ matou-lhe todas as 20 galinhas que tinha no galinheiro e foi enterrá-las, deixando uma perna de fora a cada uma para saber o sítio. Por estas e por outras, havia a tradição de quando alguém matava uma raposa, as crianças da aldeia andavam de porta em porta a mostrá-la e em troca recebiam ovos, rebuçados ou dinheiro. Segundo o tio Delmino Ferreira, de Grijó de Parada (Bragança), nos nossos tempos a raposa já não é o principal predador dos galinheiros, mas sim a gineta que, sendo mais esguia, consegue encontrar buracos nos novos galinheiros, onde a raposa não entra.
A galinha sempre foi uma peça importante na alimentação nesta região. Por isso há vários provérbios que falam nela: “grão a grão, enche a galinha o sarrão”; “a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha”; “galinha cantadeira é pouco poedeira”; “galinha que canta, faca na garganta”; “galinhas de S. João, no Natal ovos dão”; “galinha gorda, não precisa de tempero”; “da minha galinha, a postura é minha”; “galinha velha faz bom caldo”, ou ainda “a galinha põe pelo bico”.
Para além da carne, as galinhas também nos dão os ovos, que se podem consumir de várias maneiras e são um ingrediente indispensável para confeccionar muitas das receitas tradicionais da nossa região, como vários doces e o típico folar, por altura da Páscoa. Já era do nosso conhecimento que um ovo poderia ter duas gemas, mas como se pode ver na foto que nos enviou a tia Gina, de Milhão (Bragança), um ovo com três gemas é coisa rara. Segundo ela, é de uma galinha pedrês e, como diz o povo, “galinha pedrês, nunca a vendas nem nunca a dês”. Agora deixo-vos a «História do Galo da D. Cândida», enviada pelo tio Belmiro, o ‘Valdemar’, de Grijó de Parada (Bragança).

 

O galo da Dona Cândida
A dona Cândida trata muito bem as suas galinhas, mas nunca lhe passou pela cabeça que um dia seria atacada pelo chefe da capoeira. Como é normal, de vez em quando fazia controlo para saber quais as galinhas que andavam a “pôr”, só que o galo não gostava nada disso, dava sempre umas voltas batendo as asas e cacarejando, até parecia que ralhava com a dona. Aqui há dias a Dona Cândida pregou um susto ao marido:
-Belmiro anda cá depressa, olha como tenho a minha perna, já tenho a calça ensopada em sangue e até já corre para o sapato.
- Ó mulher o que foi isso?
- Fui atacada pelo galo. 
- Então esse bandido fez uma coisa dessas?! Vamos já para a urgência e de seguida metê-lo em tribunal, isso foi uma tentativa de homicídio, de certo vai apanhar prisão.
- Ó homem deixa-te lá de tribunal porque vamos ficar mal. Já sabes o que vai acontecer; vêm os do PAN e vamos perder.

Belmiro dos Santos