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Em Setembro colhendo e comendo

Ter, 03/09/2019 - 10:03


Olá gentinha boa e amiga!

Já estamos no nono mês do ano, Setembro, mês das vindimas, quando entra o Outono. Como balanço do mês de Agosto, a fábrica de fazer amigos angariou 38 novos participantes activos para a família. Além das festas, casamentos, baptizados e almoços convívio que tiveram lugar durante este mês, também temos que realçar uma tradição da aldeia de Grijó de Parada (Bragança) que, na festa de S. Roque, realiza a bênção dos animais (foto). Antigamente benziam-se vacas, burros, cavalos e outros animais, mas na actualidade só se benzem as ovelhas e os cães, que tiveram o seu dia mundial no passado dia 26 de Agosto, assinalado no nosso programa pelo tio António Cavalheiro, de Vilarandelo (Valpaços), que dedicou uns versos ao eterno e fiel melhor amigo do Homem.

A nível agrícola continua a grande labuta da apanha da batata. Muitos há que fazem diariamente este trabalho, cumprindo a tradição da “torna jeira”. Também quero dar os parabéns ao tio Luís Modinhas e à tia Lurdinhas, de Paradinha de Outeiro (Bragança), pela sua boa produção de melancias. Pude saborear das melhores da minha vida. Para ganhar uns eurinhos, muitos dos nossos andam nesta altura na apanha das amoras silvestres, que estão a ser pagas a 2 euros o quilo, segundo nos disse a tia Alcides, de Coelhoso (Bragança).

É costume dizer-se, por Bragança, que quando começam as novenas da Senhora da Serra chega o Inverno à terra, mas este ano, segundo as previsões, as temperaturas máximas vão continuar a rondar os 30 graus.

Agora vamos festejar a vida, começando pelas bodas de ouro matrimoniais de Amélia Cruz e César Russo, de Souto da Velha (Torre de Moncorvo). Que continue a durar o pão da vida. Na última semana fizeram anos Humberto Rodrigues (61) e o seu irmão, Orlando Rodrigues (55), ambos de Samil (Bragança); Maria Teixeira (65), de Coelhoso (Bragança); Natividade (81), de Sacoias (Bragança); os irmãos gémeos do Marco, Paulo e Duarte Lopes (35), de Estorãos (Valpaços); Luís Ventura (61), de Caçarelhos (Vimioso); Pedro Santos (40), de Murça (Vila Real); Gina Morais (54), de Milhão (Bragança); Rui Borges (35), de Rio Frio (Bragança); Alda Vieira (76), de Bragança e a tia Infância (91), de Chacim (Macedo de Cavaleiros). Para todos muita saúde e que coza o forno e o pão seja nosso.

Agora deixo-vos um cheirinho do almoço que houve entre alguns elementos da família, descrito pelo nosso primo Marco, de Estorãos, e também mais uns versos do “Valdemar”, o tio Belmiro, de Grijó de Parada.

 

Esta é a Família do Tio João que, volta e meia, se junta aos grupinhos, para festejar as amizades que se vão fazendo através de um programa matinal na Rádio Brigantia.

Para não fugir à tradição, no passado dia 21 de Agosto, lá nos juntámos em mais um almoço, onde não faltaram os deliciosos cumprimentos, muita alegria e boa disposição. Éramos um grupo de 30 elementos a representar esta «bendita Família do Tio João”. Este dia ficará na nossa lembrança para o resto da vida, pois estes momentos marcam o nosso coração.

Sendo este almoço realizado em pleno mês de Agosto, quem não nos poderia deixar de brindar com a sua presença eram os nossos queridos emigrantes Zé do Pipo, Irene Farruquinha e Leonel Farruquinho, que fizeram questão de estar presentes neste encontro.

Marco Lopes

 

Grito do Valdemar

 

Videiras e oliveiras começai a chorar,

Quem aos dias chamava jeiras já não vos pode tratar.

Há pedras nos caminhos que ninguém nos vem tirar,

Estamos ficando velhinhos e tropeçamos ao passar.

Já partiram os vizinhos com quem podíamos falar,

Quando estamos sozinhos só nos dá é para chorar.

Vítimas da desertificação e a ver o tempo passar.

Nesta grande solidão até a morte nos levar.

Quem criamos com carinho já deve estar a pensar,

Qual será o nosso destino e onde nos irão entregar.

Levar-nos-ão pela mão a um lugar chamado lar,

Sairemos num caixão quando nos forem a buscar.

Haverá quem chore a fingir mostrando um grande pesar,

Quer-nos amar ao partir quem nunca nos soube amar.

De mãos atadas ao peito e incenso para nos perfumar,

Alguns dirão que era um bom sujeito só para disfarçar.

Amai os vossos antes de morrer,

Não andeis depois a chorar,

Não venha o remorso fazer-vos doer,

Por não ter sabido amar.

Amparai-os na velhice e na dor,

Provando-lhe que os amais,

Não deixeis que o vosso amor,

Chegue tarde demais.

 

Belmiro dos Santos, de Grijó de Parada (Bragança)