Celebrações tradicionais da região no caminho para a Páscoa

Ter, 09/04/2019 - 14:06


Olá gentinha boa e amiga!
Inspirado na canção interpretada pela Linda de Suza, hoje começo assim: “Chuva, chuva, chuvinha, vem do céu até à terra. Chuva, chuva, chuvinha, vem cair na nossa serra.” Aí está a rega automática vinda do céu que, por vezes, é rega gota-a-gota. Ainda é muito pouca água para o que é necessário mas, seja como for, é melhor que coisa nenhuma.
Como nos contam os nossos tios, o que não foi bom, foi o Inverno ter pedido emprestados uns dias à Primavera, pois as temperaturas mínimas e máximas baixaram para menos de metade nos últimos dias. Inclusivamente no sábado, dia 6 de Abril, foram muitas as localidades que acordaram com um manto de neve. Em Bragança cidade também nevou durante alguns minutos, mas não chegou para pegar. A nível agrícola, agora são férias do tipo licença sem vencimento.
Tenho perguntado à nossa familiazinha se já toda a gente se adaptou à mudança da hora. Para meu espanto, o tio Machado, de Parada (Bragança) e mais alguns tios, disseram-me que nunca mexem nos seus relógios. Para eles a hora nunca muda. O horário de vida é sempre o mesmo. Estes tios já estão preparados para a nova norma da Comunidade Europeia, que pretende acabar com a mudança da hora.
Durante os últimos dias realizaram-se as comunhões pascais em várias escolas das nossas localidades, o que também aconteceu na escola do meu João André, com a Via Sacra ao vivo. Foi ele que representou a figura de Jesus Cristo.
O passado Domingo foi o de Lázaro. Como é tradição, realizou-se a Festa das Lazarinas, na capela de S. Lázaro, em Bragança, também conhecida como festa das laranjas. Em Argozelo teve lugar a Feira da Rosquilha, onde estivemos em directo, ao vivo e a cores, pelo sexto ano consecutivo, a fazer o nosso programa de rádio e a contribuir para a promoção do evento.
A tia Justina, de Argozelo, deu-nos a receita das rosquilhas. Por cada dúzia de ovos leva três quartos de quilo de açúcar, 250 gramas de manteiga, uma chávena de azeite e banha de porco, uma colher de chá de fermento Royal, uma ponta de colher de chá de bicarbonato de sódio, meia casca de ovo de água-ardente e dois quilos de farinha. As rosquilhas para mim são muito mais saborosas do que os económicos ou até o pão-de-ló. A rosquilha é uma maravilha!
Também é no Domingo de Lázaro que, há 411 anos, se realiza a Procissão do Senhor dos Passos, na aldeia de Edrosa, do concelho de Vinhais. A organização é da Confraria das Cinco Chagas de Cristo, de 7 em 7 anos. Segundo dados históricos, a bula da instituição da confraria data de 1608. Instituída pelo Papa Paulo IV, referencia a realização desta procissão, de 7 em 7 anos. Segundo nos contou Américo Rodrigues, a confraria nasceu porque o povo tinha um terreno bastante grande que não dava nada, nem plantas, nem cereal. A partir da data da criação da confraria e da primeira festa, aquela terra começou a produzir de tudo. Também segundo ele, o seu avô ainda se lembrava de ter havido um grande incêndio nas casas do fundo da aldeia e a população tirou a imagem do Senhor dos Passos da capela e o incêndio extinguiu-se. Alguns dos milagres atribuídos ao Senhor dos Passos.
Quando a confraria fez 300 anos de existência, ou seja no ano de 1908, foram construídas as 7 capelas dos Passos do Senhor. Há 11 anos, na comemoração dos 400 anos, foi construído o Calvário. Este ano a Via Sacra foi a mais completa, pois tiveram cerca de noventa figurantes a participar, embora o tempo não tivesse ajudado, pois esteve a chover durante toda a cerimónia. Desde que eu sou Tio João, esta procissão já se realizou cinco vezes, em 1991, 1998, 2005, 2012 e 2019, tendo eu estado presente em 1991 e 1998.
Na semana passada quem esteve de parabéns foram o tio João Castilho (67), de Bragança; a tia Maria de Lurdes (51), do Regodeiro (Mirandela); a tia Elizabete (68), da Ribeirinha (Mirandela); Elsa Pires (45), filha do tio Luís Modinhas, da Paradinha de Outeiro (Bragança); a tia Conceição Silva (56), de Caçarelhos (Vimioso); o tio Carlos Andrade (81), de Valongo dos Azeites (S. João da Pesqueira); o tio Ramos (67), de Grijó (Bragança); a tia Angelina (76), de Dine (Vinhais); a tia Ana Maria (58) e a sua irmã, Maria de Fátima (54), ambas de Vale de Lamas (Bragança). Para todos muita saúde e que coza o forno. Peço também a Deus que me continue a durar o pão da boda, pois no passado sábado, eu e a tia Leninha festejámos 28 anos de matrimónio.