À boleia de camião pelas estradas da Europa

Ter, 12/02/2019 - 09:57


Como vai a nossa gente boa e amiga? Nós cá vamos acordando vivos todas as manhãs, pois é o melhor pleonasmo da vida.

Agora no Inverno temos a máxima de dizer “está um frio de rachar! Abre o coração, família, que nos queremos agasalhar”. E assim a nossa gente nos vai aquecendo com o seu calor humano, compartilhando o seu dia-a-dia, as suas preocupações, alegrias e tristezas. São muitos aqueles que nos entretêm com o seu talento no mundo do instrumentos musicais, onde o realejo e a concertina são os maiorais, embora também tenhamos acordeões, bandolins, cavaquinhos, órgãos e gaitas de foles, que desta forma ajudam a viver muita gente. A grande vitória da Família do Tio João é que ninguém vive em solidão.

A nível agrícola, o nosso tio Rebelo, de Real Covo (Valpaços), disse-nos que “Fevereiro quente, traz o Diabo no ventre”.

A verdade é que temos tido algumas tardes com temperaturas acima da média para esta altura e, ainda segundo ele, as árvores já estão a puxar muito e até as videiras já choram. Isto vai amargar-se com as futuras geadas que ainda estão para vir. A tia Teresa, de Cal de Bois (Alijó), contou-nos que “anda cansada p’ra caraças”, pois tem andado a lavrar com a sua burrinha e quando esta se cansa, agarra na enxada e faz ela o trabalho. Por isso pôs-nos a seguinte questão: “afinal quem é a burra?!”. A tia Celeste, de Serapicos (Valpaços), disse-nos que tem andado de gadanha na mão, a fazer as bordas. Também o tio João da Cruz, da Sarzeda (Bragança), tem andado na luta contra as silvas, na limpeza dos seus terrenos.

Quem tem recebido muito miminho da nossa gente é a minha madrinha, que depois de ter estado hospitalizada e ter sido operada no hospital de Macedo de Cavaleiros, já está em casa a recobrar e agradece a todos as preocupações que têm manifestado.

Nesta última semana fizeram anos as gémeas Graciana e Patricia (33), de Canavezes (Valpaços); Francisco (70), de Castelãos (Macedo de Cavaleiros); Cristina (46) e tia Neves (65), de Nuzedo de Baixo (Vinhais); Paulo (40), de Alimonde (Bragança); Isilda (83), de Pinela e Magno (47), de Grijó (Bragança); Manuel Magalhães (65), de Paredes (Bragança); Justina (83), de Baçal (Bragança) e Olímpio (67), de Vale de Lamas (Bragança). Para todos, muita saúde e paz, que o resto a gente faz.

Agora vamos à boleia, com aqueles que nos ouvem diariamente por toda a Europa dentro do seu camião.

 

Cada vez temos mais participações de camionistas no nosso programa de rádio, graças às novas tecnologias nos telemóveis, pois podem ouvir-nos durante o seu horário de trabalho, que muitas vezes coincide com as horas do programa e por isso nos ouvem através da internet e participam em directo.

Os últimos a apresentarem-se e a participar assiduamente são o Tio Carlos e a Tia Adília, sua esposa, ambos de Celorico da Beira (Guarda). A Tia Adília tem 59 anos, reformada da função pública há dois anos, altura em que passou a ser esposa a tempo inteiro, pois em todas as viagens da linha internacional que o tio Carlos faz, depois de reformada passou a acompanhá-lo para todo o lado.

São casados há 30 anos e têm quatro filhos e seis netos. Como agora estão sempre juntos e o carro do amor está na moda, eles fazem o camião do amor.

Desta forma estão a trabalhar e de férias ao mesmo tempo, pois aproveitam as viagens que têm de fazer por toda a Europa e visitam muitos lugares turísticos por onde passam, não gastando dinheiro em hotéis e restaurantes, visto que dormem no camião e também fazem lá as suas refeições.

Ao fim de quinze ou vinte dias de viagens, voltam a casa e dizem que o que notam é que a cama é maior...

Este tipo de vida tem-lhes permitido conhecer e conviver com outros camionistas, inclusive casais em que ambos são camionistas, o que não é o seu caso. Também nos contaram que frequentemente combinam convívios e fazem as refeições na companhia de outros companheiros de profissão, em alegre camaradagem.

O Tio Carlos contou-nos que entre os camionista é habitual chamarem aos seus respectivos camiões “a casinha da saudade”.

Outros dois camionistas que são nossos ouvintes e participantes de quem vos queremos falar aqui, são o Tio Alexandre Alves, de Lampaça (Valpaços), de 42 anos de idade e o Tio Pedro Freire, de Vale da Porca (Macedo de Cavaleiros), com 30 anos, ambos emigrantes, um na França e outro na Suíça, respectivamente.

O Tio Alexandre Alves é motorista na zona de Bordéus há cinco anos e faz transporte de todo o tipo de máquinas para a construção civil e obras nas estradas. Além de fazer o transporte, também é ele que tem a responsabilidade de carregar e descarregar toda esta maquinaria.

O Tio Pedro Freire, o mais jovem destes motoristas, trabalha em Genebra, na distribuição postal e de jornais na central de correios de Genebra, levantando-se todos os dias às 4 horas da manhã para pegar ao trabalho.

Todos dizem que o nosso programa de rádio lhes faz muita companhia e ainda ficam informados das notícias das suas terras.