Ah! grande cão de gado transmontano

Ter, 29/01/2019 - 11:09


Olá gentinha boa e amiga!

Estamos a findar o mês de Janeiro e nestes últimos dias o vento também apareceu e fez com que as temperaturas máximas e mínimas subissem, embora o povo diga que quando há vento nunca há bom tempo.

A tia Lavínia, com 90 anos, de Paredes (Bragança), sogra da minha cunhada Elsa, contou-

-me que se lembra, desde criança, de ouvir dizer aos mais antigos que depois do 20 de Janeiro anda o São Sebastião com uma cajata a mandar embora o nevoeiro. Certo é que a partir desse dia o nevoeiro desapareceu. O santo fez a parte dele. A nível agrícola há pouco que fazer, porque ainda é cedo na opinião de alguns. Outros há que já andam na limpa das oliveiras. Durante estes dias de Janeiro quase toda a gente está na cama até que acabe o programa. Muita da nossa gente também anda gripada.

Na passada quarta-feira constatámos ser assim, porque das 26 participantes, 18 disseram-nos que estavam “arrampanados” com a gripe. Por isso mesmo, a tia Bininha, de Carrazedo de Montenegro (Valpaços), ligou a aconselhar à família o consumo de tangerinas nesta altura do ano, porque são um bom remédio que ajuda a prevenir a gripe.

A vida é feita de alegrias e tristezas. Vamos começar pelas tristezas, dando conhecimento do falecimento da tia Elisa Rodrigues, irmã do Jorge Rodrigues, que nos liga da Alemanha, partiu aos 60 anos, ela que foi nossa companheira em algumas viagens e minha vizinha durante alguns anos. Os sentimentos à família enlutada e que em paz descanse a sua alma. Ao nível das alegrias, estiveram de aniversário, na última semana, a tia Glória (71), de Ludares (Vila Real); o tio Isolino (69), de Barqueiros (Mesão Frio); o tio Abílio Cruz (62), de Santo Estêvão (Chaves); a tia Austelina (75), de Horta da Vilariça (Torre de Moncorvo) e a tia Maria da Conceição (55), de Uva (Vimioso). Muitos parabéns e mais anos de vida na nossa companhia.

Agora vamos falar-vos do Cão de Gado Transmontano, que teve mais um concurso na 4.ª Feira Rural de S. Julião (Bragança).

 

 

No passado sábado mais uma vez me senti em casa pois já me considero da Lombada, onde estou casado há quase 28 anos e, pelo terceiro ano consecutivo, estive em directo, das 6 às 10 da manhã, desde S. Julião, na promoção da 4.ª Feira Rural da Terra e da Gente da Lombada.

Esta feira também serve todos os anos para que as pessoas da freguesia possam mostrar o que de melhor produzem, sejam produtos agrícolas ou de artesanato, que aproveitam para comercializar neste evento. Como esta é uma feira rural, desde o primeiro ano que se apostou na realização de concursos, como o de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana e o de Cão do Gado Transmontano.

Também se realizaram duas montarias ao javali, uma na quinta-feira e outra no Domingo, dia em que foram abatidos 32 javalis.

No sábado teve lugar a chega de touros, com cinco lutas, uma das quais demorou mais de 35 minutos. Neste dia, da parte da manhã, também se realizou uma caminhada rural.

Domingo foi um dia repleto de desporto. Realizaram-se provas de trail e BTT. Contam os locais que nunca se viu tanta gente na Lombada.

Em conversa com os nossos amigos pastores chegamos à conclusão que quase todos têm pelo menos um cão de gado transmontano, pois segundo diz o povo “perdido é o gado onde não há cão que o guarde”. Os cães desta raça são apelidados de “atletas de todo o terreno”, pois estão aptos a fazer grandes distâncias por terrenos muito acidentados como são os da nossa região. São cães de um dono só, que adoram meiguices, embora não sejam delicados. São ciumentos e possessivos e gostam muito de andar em liberdade.

A média de vida destes cães é de 12 anos e o seu peso médio é de 60 quilos. Uma das suas grandes características tem a ver com o seu tamanho, pois serve para impor respeito quando os lobos tentam atacar o rebanho, nunca se esquivando ao confronto com aqueles predadores e casos já houve em que lutaram até à morte.

O tio Delmino, de Grijó (Bragança), disse-nos que neste momento tem dez cães de gado transmontano. Já a nossa tia Antónia, pastora de Rio Frio (Bragança), nunca sai com o gado sem os seus cinco cães.