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Vizinhos e chá de arestas

Como vai tudo forte gente? Ainda se vê neve por aí ou nem por isso. Acordar e ver tudo nevado, tão bom! Por aqui tudo a andar, felizmente. Também veio uma vaga de frio, mas é só um par de dias. Melhor o friozinho do Inverno que os tufões do Verão. Uma calma aparente e num instante um trovão a anunciar a arruada de vento e chuva a revirar tudo o que encontra pelo caminho. Às vezes dura uma noite outras vezes não mais que uns segundos. Em cada temporada saem avisos para as pessoas comprarem comida e não saírem de casa durante um par de dias, embora não costumem ser outra coisa se não umas chuvadas mais fortes. Acontece que aqui também se aplica a história de Pedro e do Lobo. Porque o ano passado o lobo correu por aqui desvairado e arrancou tudo pela raiz. Uma destruição nunca vista. De modo que, ainda que não venha a dar em nada, pelo sim, pelo não, o melhor mesmo é precaver. Curioso que aqui as previsões meteorológicas são estranhamente precisas, dia tal vem chuva e vem mesmo, à hora tal pára de chover, na mouche, vai chegar uma vaga mais fria e lá aparece ela à hora marcada. Comentava isto há tempos com um inglês que contava que também na Inglaterra dizem no rádio que as temperaturas estão altas e uma pessoa põe a mão fora da janela do carro e está um frio de rachar. Onde há temperaturas altas é na costa oeste dos EUA. Uma vez um vizinho americano de Las Vegas dizia que as temperaturas no Verão sobem tanto que as empresas mudam os horários de trabalho para evitar o sol. As pessoas entram às 17h e saem do trabalho à meia noite, uma da manhã, par fintar as torras de mais de 40 graus. Verão parecido com o nosso, tempo seco, mas com calor que se farta. E aquela coisa do negócio dos incêndios, dos bombeiros e dos incendiários que agem em prol de interesses cinzentos, onde há fumo há fogo e onde há fogos existem exactamente os mesmos mitos florestais à escala mundial. Por falar em mundial, na Argentina vivem o futebol de tal maneira que ninguém ousa levar crianças a ver os jogos e não são permitidos adeptos visitantes quando as equipas vão jogar fora. Imagine-se o que seriam os jogos do nosso campeonato se os adeptos dos clubes grandes, e dos outros, não pudessem ver os jogos fora. Pelo andar da carruagem já estivemos mais longe de tais demonstrações de irracionalidade animal. Capital humano é a resposta à pergunta “como pode um cidadão mexicano viver ilegal durante toda uma vida nos EUA?”. Capital humano, consiste numa comunidade estabelecida de modo que um cidadão consegue levar a sua vida normalmente, mesmo estando ilegal (um não-cidadão) recorrendo para o que for necessário a esse conjunto de pessoas.  Para tratar de todo o tipo de assuntos desde a saúde, à habitação, etc., essas pessoas chegam aos EUA e recorrem prontamente a essa rede de entreajuda composta por gente da mesma comunidade. Este é um conceito debatido e, inclusive, analisado academicamente, segundo um vizinho meu. E pronto, podem fechar o livro, ir às vossas vidas e fazer uso destes conhecimentos numa qualquer fila ou sala de espera perto de vós. Não sem antes vos dizer que aqui na China as pessoas quando saem à rua engripadas costumam usar aquelas máscaras dos médicos, aliás as autoridades recomendam isso mesmo, o que é uma medida que talvez aí diminuísse tanta gripalhada junta e tanto tempo a refletir sentado em frente às paredes das urgências de um hospital. Reduziria também a ocorrência daquela sinfonia de tosses e fungagás em espaços públicos em que um começa a tossir ou a fungar e depois logo outro aproveita a deixa e assim sucessivamente numa fanfarra a vários tons de narizes entupidos, lenços esfarrapados e gargantas ruçadas.  Por outro, era mau para a malta que faz as pastilhas e os paracetamóis, claro está, bem como para aqueles que apreciam meter baixa para passar uns dias sem tirar o pijama e pôr a leitura dos programas da manhã, da tarde, e de alguma novela da noite em dia. Se não querem seguir o meu conselho, para constipações e demais maleitas a minha mãe diz que chá de arestas vai bem com tudo. De modo que entre uns modos e outros vacinai-vos, toucinhai-vos e abafai-vos. Acho que o ditado não é bem assim, mas o que conta é a invenção. Forte abraço!

Manuel João Pires