Ser médico de família

Fazer parte da realidade familiar dos doentes é privilégio apenas de alguns! O exercício da medicina feita próxima ao doente e ao seu entorno é aquela que vemos nos centros de saúde, naqueles que são os cuidados de saúde primários.

Cuidados de saúde primários, o que são?
Os cuidados de saúde primários são o primeiro contacto com o Sistema Nacional de Saúde do doente e da sua família. São cuidados mais próximos da população, e por isso estão mais próximos quer do local onde os doentes habitam, quer do seu trabalho. 
Faz parte das suas funções a promoção da saúde e a prevenção da doença. Têm como princípio básico a equidade de tratamento universalmente acessível. O acesso deve ser aberto e ilimitado. É aqui que se lida com todos os problemas de saúde e se gerem os recursos de saúde, fazendo a ligação com os cuidados hospitalares (cuidados de saúde secundários), sendo o médico de família nestas funções o “advogado” do doente.
Possui um formato de consulta singular, já que assume o doente no seu todo, tendo em perspectiva o meio onde se insere, quer comunitário, quer familiar. Outra característica é a relação que se estabelece ao longo do tempo entre o profissional de saúde e o doente. É, portanto, um cuidado de saúde feito longitudinalmente. 
Quais os profissionais de saúde que fazem parte dos cuidados de saúde primários?
Na prática dos cuidados de saúde primários, os médicos de família e os enfermeiros de família são peça fundamental. Em conjunto formam equipas multidisciplinares prestando cuidados não só nos centros de saúde, onde focam o exercício da sua profissão, mas também onde quer que as pessoas se encontrem: em casa, nas situações de maior dependência, nas escolas, promovendo hábitos de vida saudáveis, ou em outros contextos comunitários que necessitem de intervenção. A sua responsabilidade é prestar cuidados de saúde abrangentes e continuados. São gestores da saúde e da doença do utente ao longo do tempo.
Quais as áreas de abrangência dos cuidados de saúde primários?
À cabeça dos cuidados de saúde primários temos, tal como foi dito, a prevenção da doença e da sua incapacidade, bem como a promoção ou manutenção da saúde. Nesse sentido, existem consultas de vigilância e de situações de doença aguda. As primeiras pressupõem quer a vigilância de doentes saudáveis, nas chamadas consultas de rotina, quer a vigilância de doença, em situações em que esta já esteja estabelecida. As consultas de doença aguda são para a resolução de situações de doença aguda (menos de 48 horas) e são as chamadas consultas abertas.
A correta utilização do Centro de Saúde, enquanto primeiro contacto com o Sistema Nacional de Saúde, aumenta a capacidade de oferta e a resposta rápida e adequada, de modo a ir ao encontro das necessidades de cada utente.

Dra. Filipa Faria
Médica Interna de Medicina Geral e Familiar na UCSP Mirandela II
Unidade Local de Saúde do Nordeste