O manso e o guerreiro VI – Qual é a tua, ó meu?

Tomé Guerreiro esperou o seu velho amigo Júlio Manso à entrada da adega. Quando o viu ao fundo da rua a dobrar a esquina tratou de cortar duas lascas de presunto e encheu os dois copos com tinto da sua colheita. — Veja lá se ainda se bebe pois o calor já aperta e a pipa já está quase a chegar à

24 ago. 2017, 10:09

Tomé Guerreiro esperou o seu velho amigo Júlio Manso à entrada da adega. Quando o viu ao fundo da rua a dobrar a esquina tratou de cortar duas lascas de presunto e encheu os dois copos com tinto da sua colheita.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

— Veja lá se ainda se bebe pois o calor já aperta e a pipa já está quase a chegar às borras.

— Já pica um pouquito! Era bem engarrafá-lo entes que se estrague...

— Ele não! Já não compensa. Não tarda nada está aí o novo e quando azedar de vez, fica para vinagre e também se gasta.

PUBLICIDADE

— Pois isso é verdade. Este ano até há-de vir primeiro que as uvas amaduraram cedo. Já há quem queira vindimar!

— Pois eu só vou cortar as uvas em setembro. Dê por onde der...

Júlio Manso deu uma espreitadela no Jornal Nordeste que ostentava na capa a fotografia de uma brilhante locomotiva, propriedade da empresa que vai esplorar turisticamente o que resta da antiga linha de caminho de ferro parcialmente submersa pela última barragem da EDP, num dos afluentes do Douro.

— Então,lá vamos ter de novo o comboio a apitar, da Brunheda a Mirandela.

— Vamos de certeza, que a Douro Azul não brinca em serviço.

PUBLICIDADE

— Pena é que não estenda as suas atividades a outros locais que neste tempo de crescimento turístico por todo o país é que é de aproveitar quem faz e sabe fazer bem!

— Muito Deus ajuda a quem madruga!

— É bem verdade ti’ Tomé! Não basta esperar pelas oportunidades. É necessário fazer por elas. Nisso, honra lhes seja feita: os autarcas das margens do Tua não deixam os seus créditos por mãos alheias.

— Fazem eles muito bem. Ao contrário de outros que o trataram com desdém eles resolveram acarinhar o empresário duriense. E o resto veio por acréscimo!

— E não se esqueceram de pressionar e insistir com a EDP

PUBLICIDADE

— Assim é que é! A cara feia é para quem nos tira, as gentilezas são para quem nos dá!

— Veja só que no Tua até o que nos outros é problema, aqui é solução!

— Está a falar dos morcegos?

— Isso mesmo. No Tua combatem pragas e são bem vindos

— Por falar nisso, afinal os ditos cujos hibernam ou invernam?

PUBLICIDADE

— E há diferença?

— Claro que há. Ou vossemcê acha que é apenas uma questão de grafia?

— E não é?

— Claro que não. Como também, parecendo, não é, apenas uma questão gráfica a diferença entre ficar calado e assim evitar ficar colado a tão grossa asneira!

— Pois será! Mas isso de uma coisa ser boa num lugar e a mesma coisa ser problema noutro sítio e vice-versa, quase parece mau olhado! Ou feitiço.

— Não é não, que eu não acredito nisso. Quando muito é o fator Sadim!

— E isso é o quê?

— Ora isso... são já outros quinhentos! Hoje já vamos muito avançados e não sobra tempo para lhe explicar. Fica para a próxima.

PUBLICIDADE

Do mesmo autor

As mais lidas