AS LIÇÕES DA HISTÓRIA

Há quem, nesta altura, alerte para a “necessidade” de conceder à Rússia uma vitória nesta sangrenta, horrenda, hedionda e desumana guerra que a mesma Rússia iniciou em solo ucraniano. Uma das razões invocadas passa por lembrar que foi a forma humilhante como a Alemanha saiu, derrotada e vexada, da P

12 abr. 2022, 10:22

Há quem, nesta altura, alerte para a “necessidade” de conceder à Rússia uma vitória nesta sangrenta, horrenda, hedionda e desumana guerra que a mesma Rússia iniciou em solo ucraniano. Uma das razões invocadas passa por lembrar que foi a forma humilhante como a Alemanha saiu, derrotada e vexada, da Primeira Grande Guerra Mundial. É verdade que a meteórica ascensão de Hitler e dos seus sequazes foi possível pela exploração do sentimento de revolta do povo alemão, martirizado não só pelo revés militar, mas também, e sobretudo, pelas dificuldades económicas resultantes das pesadas sanções que lhes foram impostas pelos vencedores, agravadas pela recessão económica iniciada com o colapso financeiro internacional iniciado com a brutal queda da Bolsa de Nova Iorque, em 1929.

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Ninguém duvida que uma derrota do exército de Putin, na guerra da Ucrânia, vai provocar um sentimento de união dentro da Federação Russa, havendo, inegavelmente, a possibilidade

do surgimento de um qualquer movimento populista que tente congregar sentimentos de revolta contra a “união ocidental”. Contudo, o momento histórico que deve ser tido como base de comparação, para a situação oriental, no leste europeu não é este. A humilhação soviética ocorreu já, em 1989, com a queda do muro e a desagregação da URSS. E foi, exatamente, explorando

a frustração com o abandono dos glorioso futuro socialista, imposta pelos vencedores da Guerra Fria, que Putin e os seus seguidores chegaram e dominaram o poder no seu país.

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A invasão da Ucrânia, com as suas motivações (a defesa de um “espaço vital”), a sua brutalidade e o criminoso ataque mortífero a populações civis, bem como a ligeireza como são cometidos odiosos crimes de guerra, tem de ser cotejada com a decisão do Terceiro Reich de anexar a Checoslováquia e, de seguida, com a invasão da Polónia.

As indecisões das potências ocidentais, a credulidade nas promessas hitlerianas de não ir além daquilo que, a cada momento, já havia conquistado, permitiu que a seguir caíssem a Dinamarca, a Noruega, a Bélgica, a Holanda, a França, a Jugoslávia, a Grécia e o Luxemburgo. Seguindo-se a incursão na Rússia e o bombardeamento da Inglaterra. E o que permitiu toda esta “expansão”,

imparável? Provavelmente a vontade, de muitos dos dirigentes de então, de, a seguir à entrada em Varsóvia e ao início da perseguição aos judeus, em vez de “escalarem a guerra”, optarem por promover a paz, “negociando” com Hitler e concedendo-lhe ganhos que satisfizessem as suas reivindicações. Porém, foi a condescendência com o Fuhrer que impulsionou e alargou o conflito

para níveis nunca vistos até então, a uma destruição brutal e um gigantesco número de mortos, militares e civis. O fomento bélico veio da boa vontade para com o invasor. A paz só foi possível depois da resistência, da oposição e da derrota dos exércitos atacantes.

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