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Voos solidários impulsionam o turismo

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Ter, 01/06/2021 - 12:28


O Aeroclube de Bragança associou-se às unidades hoteleiras do concelho para promover a região e ainda angariar dinheiro para oferecer seis cursos de socorrismo aos Bombeiros de Bragança, que custarão cerca de seis mil euros.

A ideia é dar aos turistas a possibilidade de conhecerem a região, não só o concelho, mas até todo o distrito, através dos céus. É caso para se dizer que “o céu é o limite”. Todos os dias será possível voar. “Os clientes podem programar o voo para o que querem, não há limites. Imaginemos que querem fazer um voo para conhecer a região toda, sair de Bragança, passar em Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro e depois ir até ao oeste da região, também podem sair fora da região. Também vamos ter um voo sobre o Douro, em que saímos de Bragança, vamos a Freixo de Espada à Cinta e seguimos a linha do Douro toda até à foz, no Porto”, explicou o presidente do Aeroclube de Bragança. Nuno Fernandes contou que esta ideia surgiu tendo em conta o contexto pandémico que se vive e assim poder contribuir para a dinamização das unidades hoteleiras e restaurantes de Bragança. Até agora já aderiram 17 estabelecimentos. Caso a iniciativa ultrapasse as expectativas, as parcerias podem ir além do concelho e chegar a outros hotéis do distrito. “Para além do concelho de Bragança, as pessoas podem conhecer as serras, há muita paisagem e muitos sítios giros para se visitarem e depois há também a própria experiência do voo e as pessoas podem querer assistir à descolagem e aterragem nos aeródromos e aproveitamos sempre para explicar às pessoas como os aviões voam”, acrescentou o presidente do aeroclube. Os voos podem ser programados até Outubro e também as crianças e jovens podem passar por esta experiência, desde que acompanhadas por um adulto. Para além de ajudar a economia local, o Aeroclube pensou também nas poucas ofertas que há no território para os turistas e como isso, muitas vezes, determina o número de noites que passam no território. “Aquilo que se nota muito é que os turistas que vêm a Bragança passam poucos dias, porque se calhar também têm poucas experiencias”, referiu, realçando que este tipo de actividades pode fazer com que as pessoas fiquem mais tempo. Antes de a pandemia chegar ao país, o Aeroclube de Bragança já organizava “baptismo de voos solidários”, há cerca de três anos. Com o dinheiro que conseguiram angariar no primeiro ano, cerca de 5 mil euros, remodelaram o refeitório da instituição Kolping. No segundo ano ofereceram uma carrinha à União das IPSS, no valor de 25 mil euros. Este ano, depois de reunidas todas as condições de segurança e higienização de combate à Covid-19, vão voltar a ligar-se os motores e todo o dinheiro angariado vai para os Bombeiros de Bragança. Os empresários de alojamentos locais e hotéis aprovaram a ideia, até porque consideram que é precisa para o negócio. Mariana Carvalho é proprietária de um hotel em Bragança e aponta que um dos maiores problemas na região “é conseguir manter as pessoas mais do que uma noite”, visto que a maior parte das reservas no seu hotel, entre 50 a 60%, são de uma noite. “É aqui que entra o Aeroclube e outras entidades e empresas que consigam trazer programas que fixem e façam com que as pessoas fiquem aqui duas ou três noites, que seria o ideal em termos de hotelaria”, referiu. A empresária frisou que se trata mesmo de uma necessidade, visto que muitas vezes é questionada pelos clientes sobre que actividades podem ser feitas na região. “Acho que estas parcerias são fundamentais para que haja mais turismo e as pessoas venham com um plano estruturado daquilo que podem fazer”, disse, acrescentando que se tiver programas para apresentar aos turistas que marcaram para uma noite, “muito provavelmente vão prolongar a estadia”. Mariana Carvalho considera mesmo que as pessoas têm “uma visão muito errada” do que é a cidade, tem termos de património cultural, histórico e natural e, por isso, entende que a solução passaria pela criação de empresas ligadas ao turismo, que organizassem viagens, visitas, saídas e actividades. Mas as dificuldades que o sector do turismo atravessa, leva a empresária a pensar que talvez seja por isso que estas empresas não se instalem. “O turismo é um negócio que tem que ser trabalhado, que não dá resultados imediatos e, portanto, as empresas que possam eventualmente surgir no mercado que lidem com os turistas, parecem que não estão dispostas a passar por um ano ou dois de provação”, concluiu. O alojamento rural em Formil, numa aldeia do concelho de Bragança, também não quis desperdiçar a oportunidade, já que o proprietário, Manuel Baptista, a considera “extraordinariamente diferenciadora”. A questão solidária também o fez aderir. São parcerias como estas que o empresário entende serem importantes para a região, que tem “um património em termos paisagísticos tremendo, tem uma oferta extraordinária” mas, em contrapartida, “toda essa oferta não é explorada da melhor maneira”. “A divulgação é insuficiente, é quase inconsequente”, afirmou, referindo que são os agentes locais que incentivam a visita e divulgam de determinadas aldeias, determinados sítios. Manuel Baptista partilha da mesma opinião de Mariana Carvalho, no que diz respeito à divulgação do território e também das actividades. “Nós não nos podemos deitar à sombra daquilo que o território tem para nos dar, das belezas paisagísticas que o território tem para oferecer, se não houver uma comunicação efectiva sobre isso mesmo”, concluiu.

Jornalista: 
Ângela Pais