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Alheira de Mirandela foi protagonista durante quatro dias com certame dedicado ao enchido

Ter, 03/03/2026 - 12:19


Mirandela voltou a celebrar a 26.ª edição da Feira da Alheira. Durante quadro dias, de 26 de fevereiro a 1 de março, o certame reuniu cerca de 100 expositores no centro da cidade. Com a alheira IGP como protagonista, os produtores mantiveram os preços face ao ano passado.

Fernando Cepeda, produtor de fumeiro, participa desde que se lembra, até porque o negócio foi passando de geração em geração. “Participamos desde sempre. Portanto, isto foi um legado que nos foi deixado pelos nossos pais. Somos três irmãos que abraçamos o projeto e já há a terceira e a quarta geração também envolvida nele. De maneira que pronto, é o filão de ouro de Mirandela, é a alheira, que espalhamos por este país fora, por esta Europa fora, e de facto é isto que queremos, continuar a levar o nosso produto além-fronteiras”, contou. Já Catarina Pinto, produtora de alheira, contou que a nota uma maior procura por este produto. está com expetativas positivas e conta o que os visitantes procuram cada vez mais o produto. “Temos um ex-líbris na nossa cidade e todos os nossos produtos têm de estar aqui expostos e o mercado procura-nos. Há pessoas que querem cada vez mais uma alheira tradicional.” A alheira IGP é a rainha da festa e há para todos os gostos, como referiu Pedro Caldeira, também produtor de alheira. “Temos desde a alheira de caça, à alheira silvestre, alheira de aves, alheira IGP, alheira tradicional. Penso que a alheira IGP e a alheira de Mirandela são as que mais se vendem”, disse. No que diz respeito ao preço, este manteve-se semelhante ao do ano anterior. “Em termos de preço, mantemos o mesmo preço do ano passado. Colocámos um preço simbólico, por exemplo, a alheira certificada está a 8 euros. Não é um preço para ganharmos dinheiro”, rematou.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Mirandela (ACIM), Filipe Carvalho, acrescentou que nesta edição houve “ um acréscimo de expositores e o bom tempo ajudou”. O presidente da câmara de Mirandela, Vítor Correia, recordou o impacto económico da alheira no concelho. “O impacto da alheira está estimado na ordem dos 50 milhões desde o fator produtivo até ao fator depois da restauração e até da exportação. Há cerca de 800 famílias que vivem diretamente ou indiretamente da produção de alheira, porque temos 800 trabalhadores ligados a este setor.”

Estrutura no Polo de Inovação Agrícola para acrescentar mais valor à iguaria transmontana

A criação de uma nova estrutura no polo de inovação agrícola da Quinta do Valongo, em Mirandela, também foi anunciada durante a abertura da Feira da Alheira. O objetivo será reforçar a componente científica e tecnológica da produção, acrescentar valor ao produto e preparar uma futura candidatura da alheira a património gastronómico e cultural da UNESCO

Segundo o vice-presidente da CCDR-Norte, Paulo Ramalho, as obras neste polo estão a decorrer a bom ritmo e será necessário este passo, para um produto como a alheira de Mirandela evoluir. “Dentro em breve, entre 5 a 6 meses no máximo, poderemos ter aquele espaço reabilitado e pronto a cumprir com a sua função, que é, de facto, ter lá pessoas a trabalhar, no sentido de criar valor ao nosso agricultor, através de análises, dos produtos, mas, acima de tudo, através de encontrar novas soluções produtivas para acrescentar valor ao trabalho do agricultor. E, nesse sentido, vamos precisar naturalmente de técnicos mais especializados, vamos ter lá, seguramente, pessoas da universidade, da academia, do mundo científico e queremos ter as organizações ligadas às diversas produções.”

O autarca Vítor Correia também defendeu que para o produto evoluir é necessário juntar a ciência e a inovação. “A alheira já atingiu um patamar de elevadíssima qualidade e expansão, mas percebemos que, para evoluir, precisamos juntar a ciência e a inovação. Já temos aqui o IPB, com o laboratório MORE, mas temos de juntar aqui mais componente científica, como a UTAD, a Escola Profissional de Agricultura, também a CCDR-N, com o polo de inovação agrícola. O que temos que lhe dar é uma componente mais científica para podermos inovar e evoluir mais e atingir outros patamares.”

Isto porque no futuro a câmara de Mirandela pretende candidatar esta iguaria a património da UNESCO. “Estamos a falar num trabalho que temos de fazer para candidatar esta iguaria a património da UNESCO. Património gastronómico e cultural. É juntar a gastronomia, mas também a componente cultural e histórica”, concluiu Vítor Correia.

Jornalista: 
Rita Teixeira