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Lagares da região deixaram de receber azeitona por falta de capacidade no armazenamento de bagaço

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Ter, 04/01/2022 - 11:36


A maioria dos lagares de azeite do distrito de Bragança não esteve a funcionar ao longo da semana passada devido à falta de capacidade das fábricas para armazenar bagaço

Licínio Miranda, gerente administrador da Aucama, uma das três empresas extractoras da região, explicou que “este ano as produções aumentaram brutalmente” e, devido às “condições meteorológicas” a apanha foi “muito rápida”. “A nossa capacidade de extracção não está a acompanhar essa produção e a apanha rápida que se fez”, vincou, lembrando ainda que a mecanização, no que toca à apanha é “cada vez maior”. Na Cooperativa Agrícola de Macedo de Cavaleiros o cenário também não é o ideal. Luís Rodrigues, presidente da cooperativa, garante que só conseguem receber azeitona, ainda que com “limitações” porque já se está em fim de campanha, sendo que, nesta fase, estará cerca de 90% apanhada. “Não vamos ter problema de recolha. Temos capacidade para continuar a receber, mas vamos estar condicionados. Podíamos estar já com tudo laborado e vamos ter de estar aqui condicionados às horas de laboração por não termos onde pôr o bagaço”, afirmou, assegurando que estão a trabalhar a 40%. Ainda por Macedo de Cavaleiros, no Lagar Olimontes, que estima receber um total de quatro milhões de quilos de azeitona até ao final da campanha, teve que haver adaptações para se trabalhar, até porque “o problema não é novo e tem vindo a agravar-se ao longo dos últimos anos”. Segundo frisou ainda Jorge Lopes, responsável pela gestão do lagar, neste caso há um tanque que não é destinado a este efeito mas fez-se uma adaptação para poder retirar o bagaço. “Já o estamos a utilizar e é o que provavelmente vamos fazer até ao final da campanha”, esclareceu, assumindo que já nos últimos anos o têm utilizado porque “no final da campanha é frequente as empresas extractoras atinjam o limite da capacidade”. Perante o cenário, estima-se que 80% da campanha 2021/22 esteja feita, mas a qualidade dos 20% que falta apanhar poderá estar em causa já que a azeitona estará demasiado madura quando for apanhada. “Aqueles que ainda têm azeitona por apanhar estão com vários problemas”, referiu Francisco Pavão, da Associação dos Produtores em Protecção Integrada de Trás- -os-Montes e Alto Douro (APPITAD), que lamentou ainda que, dado que os lagares fecharam, no começo da semana passada, os produtores que apanharam azeitona ficaram com a produção em casa e esta “vai degradar-se”. Quanto aos restantes, os que já tinham tudo planeado, “vão ter de parar”. Segundo Francisco Pavão, é preciso então que se encontrem soluções urgentes pois começa a ser “preocupante” que, “ano após ano”, “a situação se vá agravando” e as extractoras tenham de fechar por “questões técnicas”. Assim, considera que “as soluções integradas não podem passar só pelas extractoras”, mas também por “compostagem e outros tipos de transformação do subproduto bagaço”. Ainda assim vinca que “as extractoras têm necessidade de aumentar o armazenamento”. Na região, e a servir o Norte e parte do Centro do país, há apenas três empresas que fazem a extracção do bagaço.

PSD questiona Ministra da Agricultura

Perante a situação, o deputado social democrata, eleito por Bragança, Adão Silva, considerando que “nos últimos anos não se fez nada para aumentar a capacidade das unidades extractoras existentes, nem foram criadas novas, atendendo à dificuldade que existe no seu licenciamento”, perguntou à Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, se o ministério em causa tem conhecimento da situação e, caso tenha, qual a solução global delineada a curto prazo. O deputado, que volta a encabeçar a lista dos laranjas por Bragança, nas próximas eleições, quer ainda saber se está ou não prevista a possibilidade de apoiar a instalação de unidades mais pequenas, mais próximas dos lagares e mais funcionais.

Jornalista: 
Carina Alves