A tradição da bênção das casas ainda se mantém em muitos lares

Qua, 04/04/2018 - 10:25


Olá familiazinha!
Boas festas da Sagrada Ressurreição de Nosso Sr. Jesus Cristo. Entrámos no mês de Abril e estamos na semana da Páscoa, a caminho da Pascoela. Na quinta e sexta feira continuámos a leccionar as relíquias da Semana Santa. Foram muitos os tios e tias que nos quiseram brindar com as orações que aprenderam dos seus pais e avós, que sabem de cor e salteado, para nunca mais se esquecerem. Essas orações retratam a vida, paixão e morte de Jesus Cristo, mas cada um di-las da forma como as aprendeu, por isso algumas orações parecem iguais, mas são todas diferentes.
No passado sábado foi a enterrar Francisco Vaz, de 39 anos de idade, filho dos saudosos tios Carlos e Teresa Vaz, de Serapicos (Bragança), vítima de cancro nos ossos e pulmões. Como já estava sem poder trabalhar há cerca de dois anos e a sua esposa não tem recursos financeiros, através do facebook solicitou ajuda, a que se juntou a nossa família, para trasladar o corpo de França para a sua terra natal, Serapicos, porque migalhinhas são pão e era a sua vontade. Também faleceu o tio José Ferreira, marido da tia Maria da Conceição, de Fontes de Transbaceiro (Bragança),
irmão do padre Ferreira. Quem também está de luto,
pela morte da sua mãe, é o nosso tio Manuel, da Torrié.
Paz às suas almas e os sentimentos às famílias enlutadas.
No mês de Março tivemos 35 novas matrículas na universidade da vida e na semana passada estiveram de aniversário Julieta Cavaleiro (80), de Paradinha de Outeiro (Bragança); Eduardo Farruquinho (19), de Coelhoso (Bragança), emigrado em França; Duarte (41), de Celas (Vinhais); a nossa afilhada Milu (38), de Vila Seca de Armamar, a nossa menina especial; o tio Telmo Gonçalves (51), de Samil (Bragança); Alexander (13), filho da tia Irene Hostettler, emigrante na Suíça; tio António Neves (52), de Coelhoso (Bragança) e o primo Tomé (37), de Sabariz (Bragança). Parabéns a todos e que para o ano os voltem a festejar na nossa companhia.
Agora vamos aos usos e costumes da Páscoa, que ainda não se perderam em algumas das nossas localidades.
 
 
Ainda me lembro de todos os anos, antes da Páscoa, a casa dos meus avós ser caiada e levar uma limpeza geral a fundo, para receber Jesus Ressuscitado. A tia Ana Teixeira, de Parada (Bragança), contou-nos que antigamente se dizia “ainda bem que vem aí a Páscoa para se limpar a casa.” A tia Lurdinhas, de Bragança, disse-nos que era a única altura em que o soalho das casas era lavado com escova. A minha esposa, Leninha, no seu tempo de criança, também recorda que na casa da sua avó materna, a Avó Moleira, se faziam bicos de rendas de papel para embelezar os louceiros. Também era tradição em muitas casas ter a mesa posta para receber Cristo Ressuscitado e diz-se que todos os víveres que estivessem na mesa, como o pão, o folar, os bolos económicos e outros, não ganhavam bolor, porque tinham sido benzidos na visita pascal. Isto deve-se à importância que as pessoas davam a receber Jesus Ressuscitado em suas casas, um exemplo de fé.
É certo que antigamente todas as casas eram visitadas pelo compasso, mas agora muitas já não abrem a porta, porque os padres foram substituídos por seminaristas e, nalguns sítios, nem isso. O compasso pascal era composto pelo prior, pelo crucifixo, pela caldeira da água benta, pela campainha e pelo saco que recolhia a folar, que era a quantia de dinheiro que cada um tivesse intenção de dar. Nas aldeias guarda-se Dia Santo do meio-dia de quinta-feira ao meio-dia de Sexta Feira Santa, embora nas cidades não se trabalhe todo o dia de sexta. Em algumas aldeias a visita pascal também só é feita na segunda-feira ou no domingo de Pascoela.
Ainda recordo com saudade o meu tempo de criança, quando acompanhava o saudoso cónego Ruivo e transportava a caldeirinha da água benta, o que me levou a entrar em centenas de casas da cidade de Bragança. Actualmente, em algumas aldeias, ainda se vive a visita pascal muito intensamente e os familiares e amigos mais chegados vão também beijar a cruz a casa uns dos outros e depois continuam a tradição de “tirar o folar” de casa em casa, a seguir à passagem da cruz.
Como Jesus Ressuscitado já não entra em todas as casas, que entre em todos os vossos corações.