Rádio novela da família

Ter, 16/01/2018 - 10:52


Olá familiazinha!
E ao nono dia do ano, a neve chegou!
Sempre ouvi dizer que depois de um Verão muito quente vem um Inverno muito frio. Os primeiros dias deste ano têm-se caracterizado por muita chuva, geada e neve, mas dizem os antigos que “ano de bom pão, tem de ter sete nevadas e um nevão”.
Esta semana, que principiou com o dia de Santo Amaro (15 de Janeiro, o santo boteleiro), Santo Antão (17 de Janeiro, ‘advogado’ dos porcos) e S. Sebastião (20 de Janeiro, o santo que tem mais capelas e capelinhas na nossa região). Estes são os três santos a quem o povo faz oferendas do tradicional fumeiro, que depois são leiloadas. Para a semana iremos aprofundar mais este tema.
No dia 13, sábado, comemoraram as suas bodas de ouro matrimoniais o tio Altino e a tia Maria Augusta, de Saldonha (Alfândega da Fé). Que continue o “pão da boda”.
Na semana passada foi batido o recorde de parabéns cantados pelo meu João André, visto que estiveram de parabéns a Irene Farruquinha (46), que nos liga de Paris mas é de Coelhoso (Bragança), o António Gonçalves (45), de Bragança, os irmãos gémeos de Tuizelo (Vinhais) Luís e António Santos (51), o tio Chedre (70), o tocador de concertina e comilão das castanhas, de Nunes (Vinhais), a tia Glória (70), de Lodares (Vila Real), o tio José Luís (71), de Vale de Gouvinhas (Mirandela), a tia Maria Rocha (80), de Salsas (Bragança), a tia Edvige (68), de Bragança, a tia Adélia (75), de S. Julião (Bragança) e por fim a tia Rosalina (52), de Rebordelo (Vinhais). Parabéns com muita saúde para todos. E agora vamos ao resumo dos últimos episódios da nossa rádio novela da família do Tio João.

O nosso programa é uma rádio novela que retrata o dia-a-dia do nosso povo. Cada dia é um episódio diferente e como a semana começou com neve e já não tínhamos uma nevada em Bragança há cerca de seis anos, os nossos tios recordaram os fortes nevões de antigamente com a neve furaqueira, a neve puxada a vento. Também foi recordado o famoso nevão de 21 de Fevereiro de 1956, quando o comboio da Linha do Tua esteve soterrado na neve durante várias horas, impedido de chegar a Bragança. Por coincidência o meu pai e o meu primo Maurício, na altura com 4 anos, foram duas das muitas pessoas que ficaram presas dentro do comboio, entre Salsas e Sortes, à espera que os soldados os resgatassem, munidos de pás com que abriram caminho por entre a neve e assim poderem sair. Também se recordou a nevada do dia 23 de Fevereiro de 1969, que deixou lembrança por ser puxada a vento forte que impediu muitas portas de se abrirem, com a neve que a elas se encostou.
Por entre as participações de músicas, cantigas e parabéns, também esta semana foram recordados os cornelhos, cornitchoulos ou cornais, são três nomes para designar o mesmo fungo, uma cravagem que nasce nas espigas de centeio e que, segundo nos contaram as nossas tias, no tempo em que o centeio era uma das principais colheitas da região, foi muito procurado por grandes e pequenos, desde que as espigas amadureciam até às malhas. É um grão muito leve, mas que se vendia muito caro, comprado pelos peliqueiros de Argozelo, que ao andarem à procura das peles, também iam munidos de cambos (balanças de dois braços) que utilizavam para pesar o cornelho, que depois seguia para a indústria farmacêutica.
Contaram-nos que era uma fonte de receita suplementar muito importante, pois servia para amealhar dinheiro para comprar os sapatos ou o vestido para a festa.
O cornelho era também utilizado na medicina tradicional, para fazer chá, bebido para ajudar ao parto, caso as forças fossem fracas ou a criança se recusasse a vir ao mundo.
Quem surpreendeu a família foi o tio António Cavalheiro que nos cantou um fado da sua vida, que publicamos nesta página.
Para a semana seguem-se mais episódios da nossa rádio novela.