Já não se fazem famílias assim...

Ter, 08/05/2018 - 10:16


Olá familiazinha!
Os nossos agricultores continuam a ser os escrivães da terra. Segundo parece, têm muito para escrever porque há muita erva. Este mês é de muito trabalho agrícola.
No primeiro dia de Maio, recebemos o mês de Maria falando em directo com 28 Marias e houve muitas mais que não conseguiram linha. Os últimos programas que fizemos também foram dedicados a homenagear a mãe. Foram participações muito sentidas, das recordações de todos aqueles que já viram a suas mães partirem para a eternidade e participações de agradecimento de todos aqueles que ainda temos mãe.
Na última semana foram muitos os que estiveram de parabéns, com a curiosidade de a tia Alice, de Cidões (Vinhais), ter feito 84 anos na mesma semana em que os seus dois filhos também estiveram de parabéns: José Castanheira, 59 e Luís Castanheira 49 anos. Também o tio Artur (77), de Mirandela e a sua esposa tia Isabel (68) festejaram o seu aniversário na mesma semana. A tia Luisinha (79), de Bragança; a tia Isabel Maria (88), de Izeda; a nossa priminha Diana (6), de Cabeça Boa (Bragança); o tio Francisco Rodrigues (39), de Outeiro (Bragança); o tio Luís Miguel (38), da Samardã (Vila Real) e a tia Arminda Machado (65), das Quintas da Seara (Bragança), que chegou ao clube da gente grande, também festejaram a vida connosco na passada semana. Saúde para todos.
Vamos agora conhecer melhor a família da tia Arminda Machado, numa entrevista que lhe fiz no dia do seu aniversário, depois de um almoço com que nos brindou, a quinze pessoas da sua família de sangue e a quinze pessoas da nossa família do Tio João.

Fale-me da sua família…
Nós éramos uma família muito grande, muito unidos, fomos vários para a França, chegámos a estar dez irmãos juntos em França e agora só estão lá quatro. Estão todos casados e com família.
Éramos dezasseis filhos, já faleceram três, somos treze.

E todos os seus irmãos e irmãs são filhos do mesmo pai e da mesma mãe?
Sim. Todos filhos do mesmo pai e da mesma mãe.

Quantas raparigas e quan-
tos rapazes são?
São 10 raparigas e 6 rapazes.

E as dez raparigas todas foram mães?
Todas. Todas têm filhos.

Lembra-se de na sua meninice chegarem a estar todos juntos à mesa?
Não. Não me recordo. Da única vez que eu me lembro, penso que éramos quinze e foi no casamento da minha irmã mais nova.
Então até onde se lembra, quantas pessoas viviam em casa dos seus pais?
Catorze. Doze irmãos, o pai e a mãe. Uns já trabalhavam e outros iam para a escola.

E como era ser um elemento de uma família tão grande?
Olhe, era uma alegria. O primeiro que chegasse a casa ajudava a fazer o que havia para fazer, todos sabem cozinhas, lavar roupa e até fazer pão, tanto os rapazes como as raparigas.
Sempre nos demos muito bem, ajudávamo-nos uns aos outros, quando era no serão à noite, a escolher as amêndoas, as nozes, a azeitona… O meu irmão maior tocava guitarra, outro tocava realejo, outro um bocadinho de acordeão. Volta e meia agarrávamo-nos uns aos outros a dançar…

Mas os mais velhos ajudavam também para casa?
Sim. Os mais velhos trabalhavam para casa. Eu mesma comecei a ir apanhar azeitona com doze anos. O dinheiro era para casa. Chegava-se a casa e entregava-se o dinheiro aos meus pais. Quando íamos a uma festa, o meu pai dava-nos uma peça para irmos à festa e o que não se gastava, chegava-se a casa e tornávamos a entregar.

A sua falecida mãe também já nos ouvia…
Muito. Até porque você foi a casa da minha irmã antes de a minha mãe falecer. O meu falecido irmão, quando vínhamos de férias, falava muito na rádio do Tio João e depois quando eu vim de vez, também comecei a escutar e foi assim…

Agora a sua vida está cheia de muitos amigos da Família do Tio João. Vimos hoje aqui nos seus anos que toda a sua família de sangue está muito envolvida com a Família do Tio João…
É assim. Houve até muitos amigos que me telefonaram para casa a desejar os parabéns, têm estado toda a manhã os telefones a tocar. Estou muito contente e muito feliz. Os meus filhos dizem-me para continuar, para ir com os meus amigos para aqui e para além. No tempo do meu marido era igual.

É de salientar que a tia Arminda, de vez em quando, lá se lembra e vai-nos fazer uma visita à rádio e ao jornal, levando-nos os seus mimos docinhos. Esta coisa do mundo da culinária, há quantos anos é que aprendeu?
Já há muitos anos que aprendi sozinha, compro revistas e ouço receitas. Comecei em Angola, onde estive três anos.

Hoje, que se assinala o seu aniversário, para a entrada triunfal na gente grande, como é que se sente aos 65 anos?
Sinto-me bem, sinto-me feliz e muito contente. Tenho muitos de quem gosto muito e sempre que posso também participo nas suas festas.