Vendavais - Tudo é uma questão de política

Numa época em que deveria prevalecer a sensatez, a paz, o amor e a amizade, eis que nos deparamos com a agressividade, com a loucura, com o fanatismo, com a insensatez e com a guerrilha fortuita.

Um pouco por todo o lado levantaram-se as manifestações, as greves, as ameaças, os tiroteios e as mortes sucedem-se numa injustiça incontida como se o preço da vida fosse comparável ao de uma alface que se adquire no supermercado da esquina. Em Estrasburgo um lunático que ainda acreditava que do outro lado tinha à sua espera uma dúzia de virgens, leite e mel para amaciar as dores da passagem, acabou por matar 4 pessoas e ferir catorze que, num momento de lazer, apreciavam o mercado de Natal da cidade. Acabou morto, pois outra coisa não seria de esperar perante tais atrocidades contra quem nem sequer conhecia e nem era culpado da sua loucura. Nem a época natalícia conseguiu amaciar-lhe a alma terrorista de infiel!

No Reino Unido a moção de censura imposta a Theresa May foi uma dura prova para provar coisa nenhuma, a não ser que ela era e continua a ser contestada como governante devido ao facto de ter engolido sapos enormes. Na verdade, ela que sempre foi contra a saída do Reino Unido da União Europeia, teve que enveredar pelo caminho inverso e defender a saída após um referendo que lhe saiu muito mal. O acordo conseguido não satisfaz os ingleses. Conseguiu ultrapassar a moção de censura, mas não conseguirá sair airosamente de toda a confusão, até porque o Parlamento irá impor-se e acabará por derrubar o governo e exigir novo referendo. E a ser assim, o Reino Unido dificilmente sairá da União Europeia. Isto será bom para os ingleses, para os irlandeses e para os europeus incluindo especialmente, os portugueses. A comunidade portuguesa no Reino Unido é grande e necessita de segurança quer no trabalho, quer nas condições que a União permite e impõe. Promessas leva-as o vento.

Voltando a França deparamos com as manifestações dos coletes amarelos. Nas ruas, acompanhados de violência, as manifestações que deveriam ser pacíficas, transformaram-se em loucuras terríveis e quase numa batalha campal que fez lembrar Maio de 68. Mas o que estavam a fazer os coletes amarelos que não eram amarelos e que se aproveitaram da onda de manifestação? Aproveitaram para incendiar a multidão contra tudo e todos e afirmar uma direita extremista que nada tinha a ver com os verdadeiros coletes amarelos. Há sempre quem se queira aproveitar de alguma coisa que outros fazem. Quem não pode aluga!

No entanto, a onda amarela parece querer espalhar-se por toda a Europa. Os países que estão a atravessar dificuldades económicas e sociais, estão a aceitar a entrada dos coletes amarelos para, dentro desta onda, se espraiarem pelas areias das injustiças e ganharem terrenos firme. Portugal está dentro dos países que querem vestir de amarelo. Haverá aqui alguma incongruência? Então num país onde tudo vai bem, onde a economia está a crescer, onde o Orçamento foi aprovado e traz benefícios para todos, um país que até as agências de rating classificam como estável e a recuperar, será necessário vestir de amarelo e contestar alguma coisa? Será?

Bem, se calhar estamos a esquecer alguns pormenores. De facto, estou a lembrar-me da greve dos estivadores que quase levavam ao fecho da fábrica de Palmela, das demissões no hospital Dª. Estefânia em Lisboa, da greve dos enfermeiros que acabam de adiar 5.000 cirurgias a nível nacional, da greve dos juízes que arrastam os processos sine die pelos tribunais, da greve anunciada pelos professores que não vêem as promessas cumpridas e outras tantas injustiças e falsas promessas deste governo que prepara já as eleições do ano que aí vem. Afinal, parece que será necessário vestirmos um colete amarelo e erguer a voz, pois será a única maneira de nos fazermos ouvir todos. A verdade é que alguma coisa tem de mudar.

É pena que em tempo de paz se faça guerra. Que em tempo de amor se criem inimizades. Que em tempo de entendimento se agrida o próximo. Quando apelamos à justiça e ao bom senso, fazemo-lo com a sinceridade com que queremos o seu cumprimento, nunca com a esperança de enfrentarmos a loucura de um fanatismo absurdo, a irreverência de políticos cegos pela politiquice que os cargos lhes permitem exercer ou pela necessidade que alguns têm de se imiscuírem nas políticas que outros aplicam e julgam como sensatas ou quase. Tudo é uma questão de política!

Em tempo de Natal, devemos esperar felicidade, amor, carinho, saúde e muita paz.

Espero que sejam todos muito felizes. Bom Natal e Boas Festas.

Luís Ferreira