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Pandemia e pandemónio à portuguesa

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Não sou dado a teorias da conspiração, à interpretação de fenómenos que me ultrapassam atribuindo-os a forças ocultas que manobram, às escâncaras ou na sombra, tendo em vista subverter o status quo.
Todavia, no caso do novíssimo coronavírus COVID-19, que acaba de se constituir em pandemia, admito todas as hipóteses e mais algumas.
Admito que tenha sido gerado espontaneamente na imundice que são os mercados alimentares da República Popular da China, um Estado desumano que herdou os piores males da cruel doutrina marxista-leninista-maoista a que adicionou todos os vícios do capitalismo egoísta e esclavagista.
Admito que tenha sido manipulado nalgum laboratório militar (americano ou chinês, que importa?), do qual poderá ter saído acidentalmente ou sido disseminado deliberadamente, obedecendo a um qualquer plano geopolítico.
Admito que possa ser mais um tenebroso episódio da guerra comercial global que opõe não só os Estados Unidos e a China mas também outros países igualmente poderosos.
Admito que possa ser o primeiro acto de uma guerra planetária que não será travada por armas convencionais ou nucleares mas com as mais penetrantes e sub-reptícias armas químicas e biológicas que regurgitam nos arsenais das potências militares mais poderosas.
E também não deixo de admitir que as mais terríveis profecias encontrem algum nexo nesta pandémica doença infecciosa.
Assustador é que a Humanidade, agora que o fenómeno da Globalização se aproxima do clímax está, na verdade, confrontada com uma ameaça universal que afecta mais gravosamente os países ricos e industrializados e que, por isso mesmo, poderá aniquilar nações, disformar a actual Civilização ou mesmo bani-la, impondo uma cultura única absolutista.  
A verdade é que a pandemia de um micróbio poderá potenciar um pandemónio apocalíptico de monstruosos demónios já à solta. A Humanidade corre agora o risco de ser dizimada pelo coronavírus COVID-19, mas há muito que se encontra estraçalhada por um desumano pandemónio planetário que é político, ecológico, social, espiritual e moral, materializado na fome e na doença, nos vícios mais degradantes, em guerras sem fim, nas desigualdades mais abjectas e na mentira e falsidade sem limites, que afectam milhões de seres humanos, sem olhar a raças ou a credos. 
No caso de Portugal, agora transfigurado numa Nação sem chama nem governantes à altura das circunstâncias, num Estado de direito marginal que privilegia corruptos e farsantes, a quem deixa em liberdade por tempo indeterminado, a gozar as benesses adquiridas ilicitamente e a reincidir nas suas práticas imorais, a presente pandemia apenas vem coroar o pandemónio protagonizado pelos inúmeros demónios que infecionam a democracia portuguesa.
Ironicamente, ou talvez não, esta crise, como as demais, só poderá ser vencida com civismo, autodisciplina e solidariedade. O que implica restabelecer os velhos princípios morais e culturais, haja coragem, fé, esperança e humanismo bastantes. E, sobretudo, políticas eficazes, sensatas e oportunas, que é o que não tem havido. Para se ser governante não basta colar cartazes partidários e a democracia portuguesa, lamentavelmente, não tem sido capaz de gerar estadistas competentes.
Queira Deus que a presente crise não se arraste e não provoque danos irrecuperáveis.

Este texto não se conforma com o novo Acordo Ortográfico.

Henrique Pedro