A humanização dos hospitais

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Habituado desde muito cedo à leitura diária dos jornais que são uma poderosa, fácil e pouco dispendiosa fonte de informação, cultivo hoje uma saudável e regular prática de observação e acompanhamento do que se passa no mundo sobretudo no nosso país, atrevendo-me de onde em onde a intervir, aplaudindo ou criticando consoante a natureza, decurso e objectivos dos casos publicados.

A liberdade de imprensa que a revolução de Abril de 74 ofereceu aos portugueses a par da dinâmica introduzida no Poder Local, foi a maior conquista do regime democrático que hoje desfrutamos e defendemos vivamente.

Decorridos bem mais de quatro décadas sobre essa data histórica, ninguém de boa-fé discordará como o jornalismo tem sido importante na investigação e denúncia dos numerosos casos de corrupção que tem infestado o nosso país. E como têm caído na lama alguns ícones da política e da mais elevada escala social!..

Vem isto a propósito duma notícia que circulou nas primeiras páginas dos jornais protagonizada pela actual ministra da saúde e demais membros do seu gabinete e na qual com pompa excessiva e circunstancia desajustada anunciaram algumas medidas, coisa pouca, sobre a questão da humanização dos hospitais, competência e preocupação das administrações que a mesma ministra nomeia!

Claro que não está aqui em causa a natureza da matéria anunciada! O que nós discordamos e reprovamos vivamente é o facto de tal anúncio ser feito a menos de um mês das eleições quando existe legislação que proíbe tal prática e sobretudo quando milhares de portugueses aguardam resignados há anos por uma cirurgia reparadora, outros tantos não tem ainda médico de família e já agora, 15.000 diabéticos no distrito de Bragança continuam sem médico especialista, uma inaceitável discriminação que os responsáveis locais da saúde persistem em desconhecer perante o silêncio da tutela.

Trata-se, pois, duma intervenção declaradamente eleitoralista pouco transparente e sobre a qual, como diz o bom povo “ ninguém mexeu uma palha”!

Em democracia, a relação entre governantes e governados, mais concretamente os contribuintes eleitores, exige mais cuidados e maiores responsabilidades. E isso, não foi tido em conta.

José Pavão