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Valepereiro: terra de emigração

Ter, 21/08/2007 - 10:55


Deve o nome à sua localização, num vale, e a uma árvore que ali existia, o pereiro. A cerca de dez quilómetros da sede de concelho, Alfândega da Fé, Valepereiro vê a sua população aumentar no mês de Agosto, com a chegada dos “filhos da terra” que foram para o estrangeiro à procura de melhor vida. “Se não arriscássemos sair daqui, não teríamos modo de sobrevivermos”, referiu Altina Borges, habitante em Valepereiro. A juntar-se à falta de oportunidades, a população lamenta a perda de pessoas para trabalharem a terra, que sempre foi o sustento de Valepereiro. “Antes as pessoas dedicavam-se à agricultura, que era o único modo de ganhar a vida”, contou Albino Morais, emigrante em França.

Os dias passam devagar em Valepereiro, sem uma distracção possível, a não ser a partilha de histórias e vivências com conterrâneos ou deambular um pouco à sorte pela localidade. “Precisávamos de alguma infra-estrutura que trouxesse alguma diversão à população e a quem visita a aldeia”, reclama Albino Morais. Caso se concretizassem alguns investimentos em Valepereiro, como a construção de um complexo polidesportivo, o emigrante acredita que seria o primeiro passo para promover o turismo rural. “Não temos nada para oferecer aos visitantes, pois não há espaços de lazer ou equipamentos onde se possam alojar”, sublinha.

Habitantes reclamam melhorias ao nível de transportes públicos que liguem a aldeia aos centros urbanos da região

A par da falta de equipamentos, a localidade não possui um vasto património histórico, pelo que não é costume receber visitantes à procura de monumentos. “Temos a igreja matriz, umas capelas e pouco mais. Até mesmo as tradicionais festas estão a ficar mais pobres, pelo que não vêem muitos turistas por aqui”, lamenta o secretário da Junta de Freguesia de Valepereiro, Pedro Mesquita.
A população queixa-se, ainda, da falta de transportes que “afastam a aldeia de tudo o resto”. Assim, fora do período escolar, os habitantes de Valepereiro apenas podem viajar de transportes públicos às segundas-feiras ou em dia de feira. “Temos que alugar táxis nos outros dias da semana”, acrescentou Altina Borges.
Esta situação traz à memória da população o tempo em que o autocarro não subia à aldeia e esperava os passageiros na “Estação Rodoviária” que, actualmente, é adornada com azulejos que ilustram esses tempos. “Quem quisesse ir de transportes públicos tinha que descer quase até ao cruzamento, pois o autocarro não vinha à aldeia”, explicou Pedro Mesquita.