class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-node page-node- page-node-166567 node-type-noticia">

            

Pinheiro: terras de contrabando

Ter, 10/07/2007 - 10:33


As relações com Espanha remontam aos tempos do contrabando e vão resistindo ao passar dos anos. A freguesia de Pinheiro Novo, no concelho de Vinhais, fica a cerca de três quilómetros da fronteira e preserva os laços de amizade com “nuestros hermanos”. A par do contacto das populações com as aldeias do “lado de lá da fronteira”. (Esculqueira, Tameirón e Barxa), a Junta de Freguesia também tem boas relações com os aldaldes.

Os telhados em lousa e o património histórico caracterizam esta aldeia perdida na serra da Coroa, que guarda as histórias do tempo em que o contrabando era uma forma de sobrevivência. “Levávamos café para conseguirmos arranjar algum dinheiro para comprarmos pão para os filhos. Durante a noite havia mais gente a tentar passar a raia do que na cama”, recorda Aurora Gomes, habitante do Pinheiro há 84 anos.
Na anexa de Sernande, uma aldeia caracterizada pelas casas de xisto, as histórias dos refugiados da Guerra Civil de Espanha ainda permanecem na memória das gentes, que resistem ao passar do tempo na terra que os viu nascer.

Pontos de interesse da freguesia do Pinheiro Novo recuperados para atrair turistas

A agricultura e a pecuária são as principais fontes de rendimento da população, que assistiu às inúmeras transformações da aldeia. “Antes, até os carros de bois tinham dificuldade em romper as ruas cheias de fragas. Depois andaram aqui com as máquinas e a maior parte das ruas já tem paralelo”, realçou Joaquim Pedreira, outro habitante do Pinheiro.
Integrada na Rota da Terra Fria, esta localidade aposta, agora, no turismo, pois também faz parte do Parque Natural de Montesinho. Com uma casa de turismo rural, que vai trazendo alguns visitantes, o Pinheiro está a recuperar pontos de interesse que podem ser visitados pelos turistas.
No percurso pedestre, com cerca de 12 quilómetros, podem ser vistos vários vestígios romanos, desde antas a fragas com gravuras alusivas àquela época. “Um arqueólogo da aldeia também descobriu uma estrada romana mesmo na fronteira com Espanha”, frisou Jocelim Carvalho. E para enriquecer o roteiro, a autarquia contou com a boa vontade do alcalde vizinho, que autorizou o desvio de uma nascente junto à fronteira, de modo a incluí-lo no percurso do lado português.
A requalificação do moinho, a abertura de um ponto de venda de produtos regionais, a requalificação das minas de ouro romanas do Pinheiro Velho e a criação de duas praias fluviais nos rios Assoreira e Rabaçal serão, igualmente, motivos de atracção para os turistas e para a população que partiu em busca de mais qualidade de vida.
“No Pinheiro Novo vivem cerca de 55 pessoas, 15 das quais já passam mais tempo cá do que nos países para onde emigraram. Os habitantes têm regressado à sua terra. Como temos bons acessos a Espanha, os jovens também passam cá as férias”, realçou o autarca.
A antiguidade é a principal característica da freguesia do Pinheiro, que guarda, com orgulho, o património que faz a história daquela freguesia.