Ter, 09/10/2007 - 11:04
Durante 55 minutos, estiveram em cena três soldados Romanos em tempo de paz que parecem ter sido criados por Uderzo, depois de um encontro com os Gauleses irredutíveis, apresentando farda em desalinho, pilum torcido e carantonas marcadas por admiração e nódoas negras.
A acção decorre do encontro dos três personagens e da sua reorganização, em que tentam marchar, acertar o passo, diferenciar a destra da sinistra e novamente marchar, mantendo sempre o aspecto cómico das suas caras.
É desta comicidade que vive Pax Romana. A representação requer bastante rigor por parte dos actores que souberam estar à altura do desafio. Contudo, passado os minutos iniciais em que o espectador ainda está a definir o seu enquadramento na (e da) peça, as situações repetem-se passando à monotonia e perdendo o fascínio da novidade e comicidade iniciais. A peça limita o texto ao mínimo, dando relevo à apreensão por parte da imagem.
Em todo o espectáculo há, apenas, uma situação que foge do óbvio e previsível, quando um dos actores está com o braço estendido gritando “Avé Caesar, Avé Caesar”, outro passa para um furioso discurso (sempre ininteligível) com pronúncia alemã, mantendo o mesmo gesto do braço em riste (cumprimento hitleriano), passando depois para um discurso que leva o espectador a visitar Salazar, passando, ainda, por uma caracterização de George Bush e de um líder fundamentalista islâmico.



