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Ofélia Marrão trocou números pela pintura

Ter, 30/10/2007 - 12:14


Nascida na pacata aldeia de Baçal, concelho de Bragança, Ofélia Marrão começou a demonstrar a sua veia artística nos desenhos que fazia na escola primária. Ser pintora foi um sonho que a acompanhou desde criança, mas o meio em que cresceu e as opiniões da família levaram-na para outras áreas. Foi precisa muita coragem para deitar tudo para trás das costas e entrar no mundo das artes.

Há 20 anos, Ofélia Marrão decidiu abandonar o emprego em Contabilidade para dar início a um curso de restauro e pintura que viu nas páginas de um jornal. “Sentia-me frustrada, porque a vida que levava não me realizava. Então achei que este era o caminho para entrar no mundo das artes, de forma a conseguir sustentar-me. Larguei tudo…”, afirma, com alegria, a artista transmontana.
Foi no Porto, para onde partiu em adolescente, que Ofélia Marrão fez a sua formação na área das artes e onde deu os primeiros passos como artista. “Fiz vários cursos ligados com as artes plásticas, frequentei ateliers e workshops ligados à pintura e à escultura”, sustenta.
No restauro e na decoração, Ofélia Marrão deu início à sua carreira, deixando transparecer a veia artística que vinha contrariando desde criança. “Eu só queria poder sobreviver e fazer aquilo que gostava e vi essa hipótese no restauro”, sublinha.
Depois de mais de uma década a trabalhar no Porto, Ofélia Marrão acabou por vir para Bragança. “A decisão de regressar foi da minha família, eu vim um pouco por arrasto. Custou-me muito deixar o meu trabalho no Porto, onde já tinha uma carteira de contactos ligados ao mundo das artes”, recorda.

Abertura de um atelier de pintura foi a escapatória para conseguir sobreviver em Bragança

A paixão pela pintura, pela escultura e pelo desenho falaram mais alto perante as dificuldades que foram surgindo na sua instalação na capital de distrito. “Quando vim para cá não conhecia ninguém nesta área e as oportunidades de trabalhar em restauro praticamente não existiam”, salienta Ofélia Marrão.
Para contornar a falta de oportunidades, a artista decidiu abrir o primeiro atelier de pintura na capital de distrito. “A única escapatória era abrir um atelier de pintura e ensinar aquilo que eu sabia fazer aos outros”, acrescentou.
Aberto há cerca de nove anos, o atelier chegou a ter 30 alunos. Hoje, Ofélia Marrão e Luís Benites ensinam cerca de 15 aprendizes, entre adultos e crianças. “Actualmente, trabalho com um colega das artes plásticas e temos bastantes crianças, às quais tentamos incutir o gosto pelas artes plásticas”, reforça a artista.
Aos 50 anos, Ofélia Marrão afirma que é possível viver das artes, mas realça que é preciso diversificar muito o seu trabalho para conseguir gerar rendimentos.
“Gostava de passar o dia inteiro a pintar ou a esculpir, mas tenho de fazer trabalhos de decoração e dar aulas para conseguir sobreviver”, constata.
No futuro, a artista afirma que gostava de abraçar um projecto de escultura de grandes dimensões e abrir um novo atelier com galeria, para trazer outros artistas a Bragança.