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Obstetra de Mirandela permanece ao serviço

Ter, 14/08/2007 - 10:13


A obstetra de Mirandela que, na semana passada, foi suspensa durante 90 dias pela Inspecção-geral das Actividades em Saúde (IGAS) recorreu para o Ministério da Saúde e vai permanecer em funções até à decisão do recurso.

Confrontados com o recurso apresentado pela obstetra, Isabel Bragada e Mário Damasceno, não acreditam que venha alterar a pena disciplinar. “Não cremos que o ministro da Saúde vá diferir o recurso da médica quando referiu este caso na altura do encerramento da maternidade. Além disso, seria colocar em causa dados e relatórios credíveis”, referiu a mãe.
O caso remonta a 11 de Fevereiro de 2003 quando a equipa de enfermagem que assistia Isabel Bragada não conseguia desencravar o feto. A médica obstreta foi chamada, por volta das 20:30 horas, mas só compareceu no local às 21:07 horas, após alguns telefonemas, tendo retirado Gonçalo com a ajuda de ventosas.
A mãe acredita que esta demora no parto provocou anóxia cerebral ao bebé, resultando em danos graves irreversíveis.
Passados uns meses sobre o nascimento da criança, os pais de Gonçalo apresentaram o caso à IGAS, Ordem dos Médicos (OM) e Provedor da Justiça. Cerca de três anos decorridos, a OM arquivou o processo contra a obstetra sem “nunca nos terem ouvido ou termos intervido no processo, uma vez que éramos os denunciantes”, lamenta Isabel Bragada.
O relatório final da IGAS, após uma investigação, concluiu que existe a “inobservância dos deveres gerais de zelo e lealdade na assistência prestada”, uma vez que a profissional se ausentou do hospital de Mirandela. Contudo, não ficou provado que tenha existido, de forma inequívoca, uma relação de causalidade entre a actuação da médica e a paralisia cerebral grave de Gonçalo, que manifesta uma incapacidade de 95 por cento. Já a enfermeira foi ilibada, pois “a Inspecção de Saúde concluiu que fez tudo que estava ao seu alcance para que as coisas corressem bem”, explicou Isabel Bragada.

Pais não desistem de provar “relação de causalidade entre a assistência médica e os danos cerebrais causados”

A suspensão de 90 dias aplicada à obstetra é, para os pais de Gonçalo, apenas “um começo”. O objectivo maior é provar a relação entre a actuação da médica e a paralisia cerebral grave da criança.
Para tal, pediram a avaliação de toda a situação e quadro clínico de Gonçalo ao médico legista Pinto da Costa, que concluiu que “se o parto fosse mais precoce e o acompanhamento médico exigido, seria possível evitar a anóxia que vitimou o Gonçalo”. Uma vez confirmado a tese avançada pelos pais da criança, Isabel Bragada enviou o relatório para a IGAS. “Concluiu-se que houve um nexo causalidade entre a acção médica e os danos cerebrais causados ao Gonçalo, provocados por uma a anóxia e assistência não atempada”, sublinhou a mãe.
Assim, vão querer que seja provada esta relação e que “a haver uma responsabilidade esperamos que ajudem a custear as despesas mensais que rondam os 80 euros, de modo a possibilitarmos ao nosso filho a melhor qualidade de vida possível”, acrescentou Isabel Bragada.