class="html not-front not-logged-in one-sidebar sidebar-second page-node page-node- page-node-166910 node-type-noticia">

            

Noémia do Carmo tem ervas para todos os males

Ter, 11/09/2007 - 10:31


A memória já vai lhe falhando, mas Noémia do Carmo recorre aos livros que foi fazendo ao longo dos anos para dar a conhecer as propriedades das plantas que recolhe nos campos da freguesia de Vale de Janeiro.

Aos 83 anos, esta habitante recorda os tempos em que, juntamente com a irmã, decidiu partir à descoberta nos lameiros da aldeia, onde diz que encontraram mais de 150 plantas medicinais. “Umas são boas para chás, outras para banhos e outras até são boas para aromatizar a comida”, acrescenta.
Noémia do Carmo afirma que o trabalho de recolha teve início há 18 anos, altura em que procurou saber os benefícios de cada erva junto das pessoas mais antigas e nalguns livros sobre plantas.
O próximo passo foi a elaboração de vários livros com as espécies recolhidas em Vale de Janeiro. As ervas sobressaem num fundo de papel frágil, onde se pode ler o nome da planta e os benefícios que pode trazer ou os males que pode curar.
“O chá de cidreira é bom para o estômago e o fiolho é bom para os rins, fígado e também para o estômago”, afirma Noémia do Carmo, acrescentando que, antigamente, as pessoas não tinham possibilidade de ir ao médico e acabavam por recorrer aos remédios caseiros.
Ainda hoje, esta habitante de Vale de Janeiro conserva a sabedoria popular e, quando o marido adoece, procura curá-lo com as ervas que teima em guardar em sua casa. “O meu marido gosta mais dos medicamentos, mas um dia destes andava com uns problemas num olho e conseguiu curar com um remédio que eu tinha feito à base de zimbro”, salientou.

Antigamente, algumas pessoas percorriam centenas de quilómetros à procura das plantas medicinais. Agora, a sabedoria popular corre o risco de se perder

Ao mesmo tempo que desfolha os seus livros de plantas medicinais, feito manualmente, com pormenores rústicos e tradicionais, Noémia do Carmo vai realçando que o alecrim é bom para chá e banhos quando as pessoas se sentem constipadas, que a flor da giesta branca é boa para curar os diabetes e o grão e palha da aveia fazem bem ao colesterol.
A sabedoria desta popular leva-a a preferir os chás aos medicamentos e não se cansa de enumerar os benefícios das plantas. “A infusão feita com raízes de urtigas é boa para curar feridas e borbulhas. O hipericão faz bem às indisposições e sintomas de doença”, acrescenta.
Longe vão os tempos em que algumas pessoas se deslocavam centenas de quilómetros à procura de plantas medicinais. “Ainda me lembro de virem cá pessoas de Vinhais, Mogadouro, Bragança e, até do Porto. Vinham à procura de ervas para determinados males, porque acreditavam nas propriedades curativas das plantas apanhadas nos nossos campos”, realça Noémia do Carmo.
Ainda hoje, esta habitante de Vale de Janeiro conta que há pessoas da terra que gostam de levar algumas ervas para Lisboa ou para o Porto. “Quando precisam vêm cá perguntar se eu tenho esta ou aquela planta”, assevera.
As ervas são identificadas pelo odor ou pelo formato. “Esta é cigurelha. Apesar de ser parecida com o alecrim tem um cheiro diferente”, explica a mestra em sabedoria popular.
Com o avançar da idade, Noémia teme que estes conhecimentos caiam no esquecimento, dado que os mais novos não têm interesse nas plantas. “Aqui só há uma rapariga que ainda apanha ervas e até me traz cá algumas. Mais ninguém se interessa por isto”, lamenta Noémia do Carmo.