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Misericórdia

Ter, 19/06/2007 - 11:26


A definição de saúde varia de acordo com algumas implicações legais, sociais e económicas dos estados de saúde e doença. De acordo com a Constituição da Organização Mundial da Saúde: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença.”. Neste momento, em Portugal, parece que a Saúde está doente.

Não há dia nenhum em que não se fale da Saúde e das alterações que os sucessivos governos têm implementado nesta área, à revelia de quase todos. Começamos a sentir-nos órfãos. As pessoas sentem-se atingidas nos seus direitos mais sagrados e não conseguem vislumbrar melhores dias.
Os nossos governantes parecem surdos à razão. Não aceitam os argumentos mais racionais e a única coisa que verdadeiramente interessa é poupar dinheiro.
Em Bragança a situação não é diferente do que se passa no resto do país e muita contestação se tem ouvido um pouco por todo o distrito.
Até 1973 o hospital de Bragança funcionou no local onde hoje se encontra o Lar da Santa Casa da Misericórdia de Bragança. Recordo-me, ainda, da inauguração do actual hospital pelo então Presidente da República Américo Tomás, já lá vão trinta e quatro anos, mais um do que a Revolução dos Cravos.
Muita coisa mudou desde então e hoje temos um hospital que precisava de ser aumentado. Já não oferece as melhores condições para doentes e trabalhadores. Faltam valências, médicos e especialidades. Continuamos a ter de nos deslocar para vários pontos da região norte sempre que precisamos de fazer determinado exame ou sempre que precisamos de tratamento especializado.
Uma pessoa doente está debilitada física e mentalmente. Sempre que tem de se deslocar para longe dos familiares em situação de doença, esta debilidade aumenta e em nada contribui para o seu restabelecimento.
Hoje em dia, já não temos o direito de nascer no local onde vivem os nossos pais. Não se deve nascer ao quilómetro 22 de uma qualquer estrada nacional ou municipal. Deve-se poder nascer num ambiente o mais familiar possível, onde nos sintamos protegidos e amados e não num ambiente asséptico e desumanizado numa qualquer cidade que nem sequer conhecemos.
Não sei se esta poderá ser ou não uma solução, mas não custa tentar tornar mais humana a Saúde. Não há muito tempo ainda, a Santa Casa da Misericórdia ofereceu-se para ajudar o governo nos cuidados de saúde às populações, com a garantia de atendimento de qualidade e menos despesas. Porquê não experimentar?
No caso de Bragança, entendo que o governo deveria negociar a entrega do Centro Hospitalar do Nordeste à gestão da Santa Casa. Com certeza isso contribuiria para uma melhor prestação de serviços e uma maior rentabilidade de recursos.
A despesa que implica a manutenção de um conselho de administração de não sei quantos elementos e todas as benesses inerentes aos cargos desempenhados diminuiria certamente.
A saúde debate-se, também, com a falta de médicos. É fundamental que todas as regiões, sejam elas do interior ou do litoral, tenham acesso a uma saúde de qualidade e a bons profissionais. Para que isso aconteça e a exemplo de todos os outros licenciados do país, penso que devem ser sujeitos a concurso nacional e devem ser colocados nos locais onde efectivamente fazem falta, seja em Freixo de Espada à Cinta ou numa recôndita vila do Alentejo ou da Beira Interior.
Se não há médicos em número suficiente que se abram mais faculdades de medicina e se baixem as médias necessárias para entrar no curso. O país agradece.
Se a saúde é um estado de completo bem-estar social, físico e mental, é nesse sentido que é necessário trabalhar. Todos os portugueses têm direito a uma boa saúde e às melhores condições de vida, independentemente do local onde vivam.

Marcolino Cepeda