Ter, 21/08/2007 - 11:09
Aos 78 anos, Júlia Pires afirma que não seguiu a arte da mãe, porque “os tempos mudaram”, mas realça que guarda as memórias dos tempos em que a aldeia tinha mais vida e alegria. No baú das recordações, esta idosa diz que já perdeu a conta ao número de fotografias que foram tiradas pelos irmãos nos tempos de mocidade. “Nem num dia inteiro se viam todas”, ri. Além disso, realça que os irmãos emigraram para o Brasil muito novos e foram os primeiros a aparecer na aldeia com máquinas fotográficas. “Tiraram retratos à família, amigos e vizinhos e eu guardei sempre tudo”, acrescenta.
Apesar de haver mais gente, Júlia Pires realça que eram tempos mais difíceis e as tarefas exigiam mais esforço físico.
Tempos de antigamente recordados com saudade e nostalgia pela população de Romariz
“Nos bailes chegavam-se a juntar aqui aos 20 pares a dançar. Mas também trabalhávamos muito. Quando era nova trabalhava na agricultura e ajudava a minha mãe na lida da casa e nos partos. Mas ela é que tinha a arte”, sublinha.
Apesar dos partos feitos pela mãe terem resultado em crianças saudáveis, a filha afirma que os bebés devem nascer nos hospitais, onde têm todas as condições. “Antes tinha que ser assim, não havia outros meios. Havia quase uma parteira em cada aldeia. Na altura da minha mãe havia cá mais duas”, recorda.
Sendo um dos rostos mais antigos de Romariz, Júlia Pires afirma que, antigamente, as pessoas eram todas amigas. “Hoje também somos unidos, mas antes éramos como uma família. Quando alguém tinha algum problema, juntavam-se todos para ajudar. Que eu me lembre nunca assisti cá a nenhuma zanga entre vizinhos”, enfatiza.
No passado sábado, esta habitante abriu o baú das recordações para lembrar à população alguns rostos que fizeram parte da “família de Romariz”, que foram expostos na sede da Associação Cultural e Desportiva de Santo Antão de Romariz.



