Guia Michelin premeia quatro restaurantes no distrito

Qua, 23/12/2020 - 11:16


Os restaurantes “G Pousada”, a “Tasca do Zé Tuga”, “O Javali” e o “Brasa” foram, este ano, no distrito, os premiados pelo Guia Michelin.

As estrelas do ano foram reveladas segunda-feira da semana passada. Através de uma gala digital, transmitida a partir da Porta do Sol de Madrid, a Michelin deu a conhecer a selecção de 2021, tanto de Portugal como de Espanha. Em Bragança, “O Javali” foi distinguido pela primeira vez. Arrecadou um “Bib Gourmand”, o selo que atesta uma óptima relação qualidade/preço. Este restaurante, um projecto de Alberto Gonçalves, que desde muito novo trata a restauração por “tu”, já havia sido, ao longo dos últimos anos, recomendado pelo guia, mas só agora foi premiado. “Acho que é uma coisa muito boa para nós e para o distrito de Bragança”, começou por referir o proprietário, que disse que já esperavam ser distinguidos. “Cada vez lutamos por mais qualidade e trabalhámos muito para isto”, assinalou Alberto Gonçalves. O restaurante, cuja especialidade é a caça, trabalha, acima de tudo, com os produtos da região. O javali, a lebre, o cordeiro bragançano e o cabrito de Montesinho são o chamariz dos turistas, mas, segundo o proprietário, também há espaço para o peixe fresco, um dos produtos que mais atrai os visitantes locais. Flávio Gonçalves segue, há algum tempo, as pisadas do pai que, para seu “orgulho” é o garante deste “património”, ainda por cima agora distinguido. “Isto está no nosso sangue”, frisou Alberto Gonçalves, que afirmou que a pandemia está a tornar tudo “bastante difícil”. “Tentamos sobreviver e vamos andando”, finalizou. A “Tasca do Zé Tuga” também foi distinguida com o Bib Gourmand mas não foi uma estreia. Luís Portugal, proprietário deste espaço, que se localiza no castelo, viu o projecto a que deu vida arrecadar a distinção pela terceira vez consecutiva. “Isto é fruto de muito trabalho e de muita dedicação à cozinha”, explicou o chefe do espaço onde se comem produtos locais reinventados. Para Luís Portugal o Bib Gourmand “é o reconhecimento de muita dedicação e de uma equipa muito coesa”. A crise trazida pelo vírus também se fez sentir neste espaço, mas baixar os braços não foi opção. Assumindo- -se como “inovador”, o chefe apresenta agora o “mata bicho transmontano”, uma iniciativa realizada aos fins-de-semana, em que há recolhimento obrigatório a partir das 13:00 horas. “Não tenho parado, tenho-me reinventado e inovado mesmo durante este período”, assinalou. Os irmãos Óscar e António Gonçalves, com o “G Pousada”, também foram distinguidos pela terceira vez consecutiva. O espaço arrecadou, novamente, uma estrela Michelin. Segundo o chefe Óscar Gonçalves, o prémio representa “continuidade” e “é o culminar de um ano de trabalho”. “O nosso trabalho foi realizado com sucesso. Houve, da nossa parte, continuidade constante e os produtos da nossa região estão a ser cada vez mais reconhecidos internacionalmente”, afirmou. Este “ano atípico” trouxe novamente o prémio às mãos dos irmãos mas também sérios problemas ao negócio que dirigem. Óscar Gonçalves avançou que, por causa da pandemia, tanto o restaurante como a pousada foram forçados a encerrar as portas, pelo menos durante este mês de Dezembro. “A procura turística diminuiu para números incomportáveis, por isso, não fazia sentido ter uma unidade destas a laborar pois sabemos que, nesta altura do ano, os custos energéticos são bastante elevados. Decidimos, para o bem de toda a gente, fechar o espaço este mês. Em Janeiro, se a pandemia nos deixar, estaremos de volta”, lamentou o chefe brigantino. Também o restaurante "Brasa", em Macedo de Cavaleiros, foi agraciado com o "Bib Gourmand". O espaço ganha o prémio desde 2016. Em todo o país houve sete restaurantes que receberam duas estrelas Michelin e houve 21 que receberam uma. Portugal continua sem ter nenhum restaurante com a classificação máxima, as três estrelas.

Jornalista: 
Carina Alves