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Capela feita de fé

Ter, 18/09/2007 - 11:27


Maria Cândida Vara, 59 anos, prometeu e cumpriu. Há três anos pedia à Nossa Senhoras dos Milagres que curasse o seu filho, de 36 anos, da doença que o afectava há anos. Em troca ergueria uma capelinha em seu louvor. “O meu filho teve uma depressão profunda e, a partir daí, não queria ver ninguém. Depois de ter percorrido Portugal de lés a lés, e sem obter resultados na cura do meu filho, restou-me agarrar com toda a fé a Deus e pedir a N. Sr.ª que ajudasse o meu filho”, conta a mãe, residente em Bragança.

Todos os dias, Maria Cândida passava horas a fio no nicho dos Bombeiros Voluntários, rezando pela saúde de Carlos Alberto. Esta capela, também ela dedicada à N. Sr.ª dos Milagres, embora sem imagem, foi o local escolhido para a celebração do contrato entre Maria Cândida e Deus. Por isso, quando viu que a santa cumpriu a sua parte avançou para a construção de um nicho evocativo da N. Sr.ª dos Milagres, bem no centro do bairro onde vive, mais concretamente na rua Ferreira de Castro.
Primeiro pediu autorização à Câmara Municipal de Bragança para construir a capelinha. “Contei a minha história ao presidente da câmara e ele respondeu-me de imediato: “A senhora deve, por isso tem que pagar, e eu estou aqui para a apoiar”. “Se não fosse a sua boa vontade, em disponibilizar o espaço, muito dificilmente iria cumprir a promessa”, reconhece a senhora.
Autorizada a construção, Carlos Alberto e o seu pai deitaram mãos à obra e ergueram a relíquia da família, no dia 11 de Setembro de 2005.

Capelinha trouxe nova alma ao bairro

No passado dia 11, o nicho assinalou dois anos de existência. No 1.º aniversário houve missa campal, ao passo que, este ano, a data foi assinalada com missa na igreja do Santo Condestável e uma procissão de velas à noite, onde a santa foi exibida por todo o bairro.
Durante este mês, dezenas de pessoas reúnem-se diariamente à volta da capelinha para rezarem o terço. Já em Outubro e Maio, por serem os meses da N. Sr.ª de Fátima, a santa também irá receber as preces dos fiéis todos os dias. Nos restantes meses do ano, será rezado o terço às quartas-feiras.
A vizinhança aplaude a força de Maria Cândida e considera que a capelinha trouxe uma nova alma ao bairro. Maria da Conceição Santos, vizinha, recorda as diferenças. “Antigamente era mais um espaço deitado ao abandono, agora temos uma zona verde, bem tratada, com uma santa a olhar por todos nós”, explica.
Segundo Maria Cândida, os vizinhos gostam muito deste espaço. “Praticamente todos os moradores, e não só, aparecem para rezar e ajudar no que for preciso”.
O local de culto religioso é cuidado por Maria Cândida e pela a autarquia, que assim conservam o espaço limpo e verde. A devota lembra que muita da sua vida está no nicho, ao ponto de afirmar que “a capelinha tem mais valor do que propriamente a minha casa”.
Para o futuro, moradores e fiéis pedem já uma festa em honra da N. Sr.ª dos Milagres no bairro, pois os devotos não param de aumentar.