Ter, 06/11/2007 - 10:27
Hercília Marques abordou “A caça na obra de Miguel Torga, focando o peso deste tema em todos os estilos do escritor transmontano.
Professora, cronista, escritora e investigadora, Hercília Marques começou por recordar o seu primeiro contacto com Torga, ainda em Coimbra. Nas suas palavras, “depois de o ver, num autocarro, com o seu estilo camponês, interessei-me cada vez mais pela sua obra, tornando-me cada vez mais uma estudiosa da obra torguiana”.
O binómio: homem instintivo / homem racional foi o ponto de partida para abordar a importância da actividade cinegética na vida de Adolfo Rocha (Miguel Torga). Neste sentido, a oradora destacou a caça como prazer e pacificação, pois era, sobretudo, uma forma de libertação. Nas palavras de Torga, “o único tranquilizante que me faz bem é a caça”. Posto isto, Hercília Marques justificou o gosto e necessidade do autor em caçar, pela capacidade de o fazer regressar à pureza original, enquanto satisfação do instinto. O conhecimento das artimanhas para saciar os seus desejos e o estado virgem e selvagem da alma, foram alguns dos princípios abordados pela investigadora.
Outro dos factores que explicam a admiração de Miguel Torga pela caça é, como não podia deixar de ser, o contacto com a Natureza. A caça oferecia ao escritor as paisagens mais sagradas, quer físicas (geográficas), quer humanas (junto ao seu povo).
Por último, a caça surge no mundo torguiano como fonte de inspiração literária. Miguel Torga comparava um “tiro certeiro” ao poder de criação literária. Assim sendo, o escritor/poeta também deve à actividade cinegética a autenticidade da sua escrita.
Antes do encerramento da conferência, Hercília Marques anunciou a sua próxima obra, intitulada de “Miguel Torga – a força das raízes”, que será apresentada no próximo dia 23 de Novembro.


